Ondas traiçoeiras comuns

Autor: 
Ed Grabianowski

A maioria dos relatos sobre ondas traiçoeiras conta com estimativas de tamanho fornecidas por testemunhas. Essas estimativas são baseadas na altura do navio acima da superfície da água e no nível que a onda alcançou quando o atingiu. Era comum pensar que as histórias de ondas com 30 metros ou mais de altura eram exageros (e algumas delas com certeza eram). Na melhor das hipóteses, essas ondas eram incrivelmente raras.

Draupner wave
Foto cedida por Sverre Haver
Um registro da onda traiçoeira na Plataforma
Draupner no Mar do Norte durante 1º  dia do ano de 1995

Na década de 90, marinheiros e cientistas começaram a suspeitar de que as ondas traiçoeiras eram responsáveis por muito mais desaparecimentos no mar do que eles pensavam. Os cruzeiros Queen Elizabeth II, Caledonian Star e Bremen foram atingidos por ondas monstruosas em um período de seis anos. Anteriormente, dados coletados por navios meteorológicos sugeriram que ondas desse tipo ocorreriam apenas de 50 em 50 anos ou mais [fonte: Smith, 210]. Em 2004, a Agência Espacial Européia (ESA) usou os dados de dois satélites equipados com radares para ver a freqüência real das ondas traiçoeiras. Depois de analisar as imagens de radar capturadas em oceanos no mundo inteiro por um período de três semanas, o projeto MaxWave da ESA encontrou 10 ondas com 25 metros ou mais. Esse foi um número surpreendentemente alto em um intervalo de tempo tão pequeno. Isso obriga os cientistas a pensarem com seriedade em suas opiniões sobre as ondas traiçoeiras [fonte: ESA]. A ESA está realizando um outro projeto, o WaveAtlas, para analisar os oceanos por um período bem maior e estabelecer a estimativa mais exata possível da freqüência das ondas traiçoeiras.

Outras evidências concretas de ondas-monstro são obtidas por meio de instrumentos projetados para medir a altura das ondas. Um equipamento desses foi montado em uma plataforma ­petrolífera em alto-mar conhecida como Plataforma Draupner. No Dia de Ano Novo de 1995, a plataforma estava medindo ondas que não passavam de 5 a 7 metros de altura. Então, ela repentinamente registrou uma única onda com quase 20 metros de altura [fonte: Smith, 208]. Bóias meteorológicas canadenses próximas de Vancouver registraram ondas com 30 metros ou mais de altura durante a década de 90 [fonte: Smith, 211].

O naufrágio de Edmund Fitzgerald

As ondas traiçoeiras podem não se restringir aos oceanos do mundo. As águas interiores bastante extensas (como os Grandes Lagos da América do Norte) também podem gerar ondas traiçoeiras. Apesar de existirem poucos dados científicos para confirmar isso, há diversas histórias. Um dos naufrágios mais infames na história dos Grandes Lagos, o "Edmund Fitzgerald", pode ter sido causado por uma ou mais ondas traiçoeiras. Em novembro de 1975, o navio de carga a granel com 222 metros estava lutando contra uma tempestade terrível junto com o "Arthur Anderson". Encoberto pela tempestade, o Anderson foi atingido por duas ondas com 10 metros de altura (realmente grandes, até mesmo para o Lago Superior) e em seguida perdeu o Fitzgerald de vista em seu radar [fonte: Cush, 111]. Com o tempo, o Edmund Fitzgerald foi encontrado no fundo do lago e estava quebrado ao meio. Apesar de existirem muitas teorias, algumas sugerem que uma combinação de fatores, incluindo as ondas traiçoeiras que atingiram o Anderson, arrastaram violentamente o Fitzgerald para baixo da água e ele não conseguiu mais retornar à superfície.

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