O que causa as ondas traiçoeiras?

Autor: 
Ed Grabianowski

Para entender o que causa uma onda traiçoeira, primeiro você precisa aprender um pouco sobre as ondas normais. Pense naquelas que são familiares, como as ondas em que você surfa na praia ou nas piscinas de ondas dos parques aquáticos. Uma onda tem diversas características que podem ser usadas para defini-la:

  • a crista é a parte mais alta da onda
  • o vale é a parte mais baixa da onda (a "depressão" entre as ondas)
  • a distância entre o vale e a crista representa a altura da onda
  • a distância entre as cristas representa o comprimento da onda
  • a quantidade de tempo que passa entre uma crista e a outra é o período da onda ou velocidade da onda
  • a quantidade de energia cinética e potencial transmitida por uma onda é conhecida como energia da onda

Um grande número de variáveis influencia esses fatores, incluindo a profundidade da água, força das marés, vento soprando sobre a água, objetos físicos como as ilhas que refletem as ondas e a interação com outras ondas e correntes oceânicas. A todo momento, milhares de ondas estão passando e interagindo em uma área específica do oceano. As ondas ficam maiores e mais fortes quanto mais rápido for o vento e maior o tempo que ele soprar. A área de geração é o espaço desimpedido em um oceano sobre o qual o vento pode soprar. É a dimensão da área do oceano em que o vento está atuando. Quanto mais espaço, maiores serão as ondas.

Boletins meteorológicos registram a altura significativa da onda, que é a maior altura de um terço das ondas mais altas. Por que as ondas traiçoeiras ultrapassam tanto a altura significativa da onda? Os cientistas não sabem ao certo, mas eles têm algumas boas teorias.

Uma possibilidade é a de que as correntes oceânicas fazem com que as ondas "se acumulem" quando se deparam com as correntes. Tempestades fortes podem provocar alturas significativas de onda de 12 a 15 metros. Quando essas ondas deparam com uma corrente forte, a corrente pode aumentar a altura das ondas e fazer com que elas se quebrem. Isso explicaria as ondas-monstro com 30 metros ou mais de altura e o efeito "parede de água". As ondas traiçoeiras freqüentemente ocorrem em áreas conhecidas por suas correntes oceânicas fortes. Por exemplo, a Corrente das Agulhas vai para o sul pela costa leste da África. As ondas de tempestade que vêm do sul entram em choque com essa corrente. Previsões matemáticas sugerem que as ondas traiçoeiras nesse lugar poderiam atingir 58 metros de altura; desde 1990, vinte navios já relataram a ocorrência delas nessa área [fonte: Smith, 188]. A Corrente do Golfo, que vai em direção à costa leste dos Estados Unidos, é outra fonte em potencial de ondas traiçoeiras. As ondas traiçoeiras que se originam na Corrente do Golfo podem ser responsáveis por muitas partes da lenda do Triângulo das Bermudas.

No entanto, nem todas as ondas traiçoeiras acontecem em correntes oceânicas fortes. Os cientistas acreditam que algumas ondas podem ser causadas por junções de ondas que acontecem ao acaso. Quando duas ondas interagem, as alturas delas são somadas. Se uma onda de 5 metros passa sobre uma de 10 metros, o resultado que acontece rapidamente é uma onda de 15 metros. Isso pode acontecer de maneira contrária também. Uma onda de 15 metros se movendo por um vale de 10 metros resulta em uma onda de 5 metros. Dezenas de ondas podem estar interagindo e se fortalecendo. De vez em quando, diversas ondas podem se juntar no momento certo e criar uma onda gigantesca em mares relativamente calmos. Se 10 ondas que têm apenas 1,5 metro de altura se juntarem, elas irão resultar em uma de 15 metros. Isso está de acordo com as descrições de ondas traiçoeiras que parecem surgir do nada e desaparecer depois de apenas alguns minutos.

O Queen Elizabeth
Durante a Segunda Guerra Mundial, os cruzeiros britânicos foram utilizados para levar tropas dos Estados Unidos à Europa. Uma dessas embarcações era o "Queen Elizabeth". Uma onda traiçoeira atingiu esse navio próximo à Groenlândia em 1942, estilhaçando janelas que ficavam a 27 metros da linha do mar e quase virando o navio. Ele se restabeleceu e por pouco evitou um desastre marítimo sem precedentes. O navio estava levando mais de 10 mil tropas na ocasião [fonte: Sverre Haver - em inglês].

­