Uma onda traiçoeira por definição

glacier
Fotógrafo: Ironrodart |
Agência: Dreamstime

O derretimento glacial pode causar
ondas enormes, mas elas não são
consideradas ondas traiçoeiras

Existem muitos tipos de ondas oceânicas, e algumas delas são mesmo enormes. No entanto, nem todas as ondas grandes são ondas traiçoeiras. Tempestades fortes, como os furacões, podem provocar ondas grandes, mas elas tendem a ser relativamente normais e previsíveis, apesar de, com certeza, serem capazes de causar sérios danos a navios e áreas costeiras. Terremotos submarinos, deslizamentos na costa e derretimento glacial ou quando um grande pedaço de uma geleira se quebra e cai no oceano, também podem criar ondas enormes e catastróficas. Os terremotos submarinos podem produzir tsunamis e os deslizamentos podem provocar maremotos. Essas ondas poderiam ser consideradas traiçoeiras, mas até certo ponto elas são previsíveis, contanto que alguém tenha notado o que as causou. Então, isso praticamente as exclui da categoria de ondas traiçoeiras.

Uma verdadeira onda traiçoeira surge aparentemente do nada e é bem mais alta do que as outras que estão ocorrendo na área naquele momento. Essa diferença exata de altura ainda está em aberto. Algumas fontes sugerem que qualquer onda duas vezes maior do que a altura significativa de onda atual é uma onda traiçoeira, ao passo que outras acreditam que qualquer uma 33% maior se enquadra na categoria. Provavelmente é o bastante dizer que qualquer onda que seja tão grande a ponto de ser inesperada com base nas condições atuais do local pode ser considerada uma onda traiçoeira. Uma embarcação que navega em ondas de quase 1 metro poderia se deparar com uma de 2,5 metros, que, apesar de não ser das maiores, certamente causaria problemas para um barco pequeno.

As ondas traiçoeiras também tendem a ser mais exageradas do que a maioria das ondas. As ondas oceânicas normais podem ter a forma de grandes ondulações, permitindo que os navios manobrem para baixo e para cima delas mesmo que eles estejam a muitos metros de altura. Por outro lado, veja esse relato do encontro da embarcação Queen Elizabeth II com uma onda-monstro:

No 0410 a onda traiçoeira foi avistada logo à frente, surgindo da escuridão no 220. Parecia que o navio estava indo em direção aos penhascos brancos de Dover. A onda pareceu levar horas para chegar, mas provalmente se passou menos de um minuto antes que ela atingisse a proa com uma força tremenda [fonte: Science Frontiers - em inglês].

A expressão "parede de água" é muito comum em relatos de ondas traiçoeiras. Elas costumam ser muito mais exageradas do que as ondas comuns e, por isso, atingem os navios com uma força tremenda, muitas vezes se quebrando sobre eles.

O Explorer
Em janeiro de 2005, o Explorer, um navio de pesquisa com 180 metros, foi atingido por uma onda traiçoeira de 15 metros no Oceano Pacífico. A onda desativou muitos dos equipamentos do navio, inclusive três ou quatro motores. As pessoas que estavam a bordo sofreram apenas ferimentos leves e o navio conseguiu chegar ao Havaí para ser consertado. Se a onda fosse maior, quase mil pessoas poderiam ter morrido [fonte: The Denver Channel - em inglês]. ­
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Apesar de os cientistas terem descoberto muitas coisas sobre as ondas traiçoeiras na última década, elas ainda são bastante enigmáticas. Ninguém nunca filmou a formação de uma onda traiçoeira no oceano ou a seguiu durante todo seu ciclo de vida. Existem poucas fotos de ondas traiçoeiras. Por séculos, as melhores evidências de sua existência foram os relatos, as incontáveis histórias dos marinheiros que haviam sobrevivido a uma delas.

Gallimore e outro tripulante estavam na casa de navegação. O vento estava soprando com intensidade de 100 nós por mais de um dia e "Lady Alice" estava lutando em mares revoltos com ondas de 5 a 7 metros de altura... Às 8 horas da manhã, Gallimore olhou para cima e viu uma parede de água gigantesca vindo em direção a "Lady Alice". Da casa de navegação ele não pôde ver o topo da onda... A onda atingiu o topo da casa de navegação, empurrando o navio para baixo da água... O tripulante que estava na casa de navegação com ele foi empurrado com tamanha força que fraturou duas vértebras. Para chegar ao topo das antenas do radar com força suficiente para arrancá-las do mastro de aço onde estavam parafusadas, a onda devia ter 12 metros ou mais de altura [fonte: Smith, 195].