Frio intenso

A magnitude da erupção foi registrada não apenas pelo tamanho da cratera, mas também pelos depósitos de cinzas, enxofre e cálcio encontrados nas rochas e amostras de gelo de lugares tão distantes como a Groenlândia, a 11 mil km de distância.

Indícios da erupção

Amostras de gelo retiradas de orifícios escavados nas geleiras do planeta apresentam depósitos de enxofre, cinzas e partículas reveladoras, como pólen. Esse material pode ajudar a determinar quando a erupção do Toba ocorreu e durante quanto tempo seus efeitos foram sentidos no planeta.

A erupção em si aparentemente durou cerca de duas semanas e foi seguida de seis anos de “inverno vulcânico”, durante o qual nuvens pesadas bloquearam o sol. Depois, seguiram-se ao menos mais mil anos de resfriamento global. Hoje é difícil avaliar a extensão desse cataclisma avassalador.

Alguns seres humanos podem ter perecido na erupção, mas a crise populacional identificada pelos geneticistas foi quase certamente resultado do que viria depois, uma queda de temperatura em todo o planeta da ordem de 12ºC.

O ambiente em que a população humana vivia tornou-se mais frio e seco, causando a degradação de muitos ecossistemas. Sementes não conseguiam mais germinar, e a luz inadequada teria enfraquecido as plantas, deixando-as sem viço. Animais teriam morrido aos milhares, espalhando pelo solo carcaças em decomposição impróprias para o consumo.

Famintas e desesperadas, teria sido difícil para as pessoas gerarem filhos, e mais ainda criá-los. Assoladas pela fome, as crianças teriam sido as primeiras a morrer, seguidas das mulheres. Foi um duro golpe para nossa espécie.

As populações que já haviam deixado as regiões tropicais e subtropicais devem ter sido dizimadas pelo frio. Em latitudes mais altas, os neandertais, embora biologicamente adaptados às condições, aparentemente declinaram em número e abandonaram o norte da Europa. Embora os números populacionais referentes a antes do desastre de Toba não sejam conhecidos, é certo que depois da erupção nossa espécie chegou perto da extinção.

Poderíamos ter sido varridos da existência antes de pintar as paredes das cavernas e de caçar mamutes, como os neandertais e outras espécies extintas de primatas hominídeos.

Toba

O tamanho da erupção - o Toba emitiu 2.800 km3 de matéria vulcânica para a atmosfera – a erupção mais violenta dos últimos dois milhões de anos. O monte Santa Helena, nos EUA, a maior erupção recente, produziu apenas 1 km3.

Chuva de cinzas - a nuvem de cinzas que se ergueu do vulcão avançou na direção oeste através do oceano Índico e até o Oriente Médio. Depósitos de cinza de 6 m de espessura foram encontrados na Índia durante escavações arqueológicas.

Cicatrizes na terra - o buraco gigante deixado pela erupção do Toba é atualmente o maior lago de cratera do mundo, com profundidade média de 450 m. Tem 100 km de extensão e suas margens perfazem quase 300 km.


A salvo do desastre


O Homo sapiens sobreviveu porque havia no mundo três áreas tropicais de alto índice pluviométrico, cujo solo conseguia sustentar um número maior de pessoas. Elas estavam todas na África, onde existem evidências de uma expansão humana depois da crise. Ferramentas e gravuras de 70 mil anos atrás indicam que ocorreram focos de desenvolvimento humano na África muito antes de em qualquer outro lugar.

Assim, de uma coisa pode-se ter certeza: devemos nossa existência àquelas populações que, por sorte ou engenhosidade, conseguiram sobreviver ao desastre geológico que vitimou o resto da espécie.

Conheça outras verdades por trás da história, por Seleções