Introdução

O NORAD, Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte, é uma operação militar administrada conjuntamente pelos Estados Unidos e pelo Canadá. Seu quartel-general originalmente foi mantido em uma imensa construção, dentro de uma montanha esburacada perto de Colorado Springs. O objetivo do NORAD é monitorar todas as possíveis aproximações via ar e espaço e ataques potenciais aos Estados Unidos. Criado no auge da paranóia da Guerra Fria, o NORAD é uma maravilha tecnológica que foi forçada a se adaptar continuamente às novas ameaças.

Neste artigo, daremos uma olhada na história do NORAD, na tecnologia por trás de suas operações e em onde o comando se situa atualmente.

Galeria de Imagens de Caças (em inglês)

Fighter jet over NYC
Força Aérea dos Estados Unidos/AFP/Getty Images
Um F-16 voa numa missão do NORAD sobre a cidade de Nova York em 2003

­Prever, detectar, defender
Para compreender o NORAD, é importante entender os temores da Guerra Fria que o gerou. Considere essa citação, de 1967:
Compare [o ataque japonês a Pearl Harbor] com a ameaça que as pessoas da América do Norte enfrentam hoje: caças-bombardeiros supersônicos e subsônicos, centenas deles, capazes de atingir qualquer alvo no continente; mísseis balísticos intercontinentais que podem viajar do interior do território eurasiano a 15.000 mph … mísseis balísticos lançados por submarino que podem atingir 40 das maiores cidades do continente em menos de cinco minutos após o lançamento…. Os cosmonautas soviéticos são precursores do perigo futuro [fonte: Talmadge].

O mote do NORAD é "Prever, Detectar, Defender". A prevenção foi realizada simplesmente por meio da criação do NORAD. "Inimigos potenciais sabem que sofrerão conseqüências desastrosas imediatas se forem tolos o bastante para lançar um ataque contra os Estados Unidos e o Canadá. O conhecimento total desses fatos é considerado a maior proteção e prevenção contra um ataque sorrateiro", diz a introdução de um guia do NORAD publicado em 1970 [fonte: ­Hough]. De muitas formas, a criação do NORAD foi um ato de propaganda da Guerra Fria. Isso não significa que o NORAD não era capaz de fazer as coisas que os Estados Unidos declaravam possíveis, mas simplesmente que as declarações eram, pelo menos, tão importantes quanto a própria tecnologia.

A detecção era realizada com uma série cada vez maior de radares instalados pelo Canadá. Se você olhar para o globo diretamente de cima, verá que o caminho mais curto entre os Estados Unidos e a Rússia é através do Ártico, colocando o Canadá diretamente ente as duas nações da Guerra Fria. A "cerca de radares" do NORAD pretendia agir como uma primeira linha de defesa, oferecendo o máximo de avisos antecipados quando aviões de ataque ou mísseis fossem lançados em direção aos Estados Unidos ou ao Canadá. Isso proporcionaria tempo de reação (com mísseis de retaliação) e possivelmente afetaria alguma forma de evacuação ou permitiria que os civis chegassem aos abrigos contra bombas.

Esquadrões especiais de caças e bombardeiros da Força Aérea (Comando Aéreo Estratégico ou esquadrões SAC) foram criados para realizar a parte defensiva do mote do NORAD. Aptos a estarem a postos e levantarem vôo a qualquer momento, esses aviões poderiam ser usados para interceptar e destruir aeronaves inimigas. Os mísseis inimigos não poderiam ser manipulados de nenhuma forma prática; assim, bombardeiros seriam enviados para lançar mísseis na Rússia, garantindo a destruição mútua de ambas as nações.