Soluções para as fontes de água

Autor: 
Josh Clark

Nos Estados Unidos (em inglês), uma das nações mais ricas do mundo, uma pequena cidade já descobriu o que significa ficar sem água. A fonte de água em Orme, Tennessee, secou em 2007. Esse fato foi um sofrimento para os 145 habitantes da cidade, mas foi algo que eles superaram com a ajuda dos vizinhos. A cidade de New Hope, Alabama, permitiu que Orme levasse caminhões para pegar água de sua fonte e encher o reservatório de água da cidade. Além disso, New Hope permitiu que a cidade de Orme instalasse um cano de três quilômetros, conectando-se à sua fonte de água.

Com 32% da população brasileira, a região da bacia hidrográfica do Paraná – que inclui quase toda a região Sudeste e maior cidade da América do Sul, São Paulo - é uma região que pode sofrer com a falta de água no futuro. Poluição dos lençóis freáticos, ocupação desordenada das margens de represas, ligações irregulares (os chamados “gatos”) e a construção de poços artesianos irregulares são alguns dos problemas. Contudo, o maior vilão continua sendo o desperdício, sobretudo por causa de redes de distribuição mal conservadas, que provocam, em média, a perda de 60% da água consumida nas regiões urbanas.

Governadores da Georgia, Alabama e Flórida em encontro para discutir a questão da água.
Mark Wilson/Getty Images
Os governadores de Georgia, Alabama e Flórida se reuniram em Washington, D.C., em novembro de 2007 para discutir um acordo para a divisão da água

Cerca de 241 km ao sul dos EUA, a guerra pela água de Atlanta (em inglês) não está acontecendo por meio de medidas repressivas ou conflitos, mas através da diplomacia. Em novembro de 2007, os governadores da Georgia (em inglês), Flórida (em inglês) e Alabama - três Estados cujas regiões dependem de uma fonte de água em comum - se reuniram em Washington, D.C. para discutir um acordo sobre o uso da água entre os três estados. Na parte oeste dos Estados Unidos, um processo parecido foi realizado entre sete estados que dividem uma fonte de água em comum. Os acordos para a utilização da água também estão ficando comuns em outros lugares do mundo: Durante o século 20, 145 tratados sobre a água foram criados em lugares como o Oriente Médio (em inglês) e Ásia (em inglês), onde a água é escassa [fonte: Leslie].

A tecnologia também pode desempenhar um papel fundamental para garantir um fornecimento de água adequado. A agricultura é responsável por 70% de todo o consumo de água dos humanos. Porém, 42% de toda a água utilizada para agricultura é perdida por causa de técnicas de irrigação ineficientes (no Brasil, o setor agrícola, o maior consumidor de água (69%), consegue desperdiçar até 60%, sendo que em algumas regiões o desperdício atinge até mesmo 80% da água tratada [fonte: ANA]). Nos EUA, os sistemas de irrigação gota a gota estão se tornando cada vez mais populares, uma vez que operam com 95% de eficiência [fonte: Energy Services]. Tradicionalmente, os sistemas gota a gota são mais caros do que os outros métodos de irrigação, mas algumas empresas estão encontrando maneiras de reduzir o custo desses sistemas, deixando-os mais acessíveis para os países pobres, onde as fontes de água são escassas.

As plantas de dessalinização - que removem o sal da água salgada para produzir água potável - já estão sendo usadas ao redor do mundo. O uso dessas plantas é caro, mas espera-se que os custos associados a essa tecnologia diminuam no futuro.

Outra solução para a conservação da água pode ser cultivar plantações que exijam menos água para crescer e gerar frutos. Engenheiros biológicos estão tentando criar plantas geneticamente modificadas que poderiam se desenvolver bem, sem irrigação artificial. Embora a idéia de ingerir alimentos geneticamente modificados deixe algumas pessoas enjoadas, os alimentos do futuro poderão ser criados em laboratório.

Nem todas as soluções para o fornecimento de água dependem da tecnologia. Alguns sugerem que simplesmente aumentar o valor da água pode ser a resposta para a crise. Tornar a água um bem exclusivamente de utilidade pública (o que significa não disponíbilizar a água para venda por empresas com fins lucrativos) e aumentar o seu preço, poderia reduzir o desperdício. Se a água fosse mais cara, ela seria mais valiosa para os consumidores. De maneira lógica, isso estimularia o público a economizar mais. Em outras palavras, se a água fosse mais cara, seria pouco provável que uma pessoa deixaria a torneira aberta enquanto escova os dentes.

Em 2006, o Brasil adotou uma nova legislação sobre a água, o Plano Nacional de Recursos Hídricos - uma iniciativa semelhante, a Lei da Águas de 1997, já tentou melhorar a situação dos rios e aumentar a eficiência na distribuição da água tratada. Mas a solução também passa por obras faraônicas. Um projeto que sempre foi polêmico, a transposição da águas do rio São Francisco, orçada em 6,5 bilhões de reais, tem como objetivo aproveitar parte das águas do maior rio do Nordeste para irrigar o semi-árido, historicamente uma região castigada pela seca.

Existem essencialmente duas visões em relação à crise da água atual: uma otimista e outra pessimista. À medida que as fontes de água diminuem, os conflitos podem surgir. Podem ocorrer doenças e mortes. Porém, enquanto alguns lutam, a briga para manter ou criar uma fonte de água viável incentivou a cooperação e a inovação entre os governos. Há esperança em meio a crise da água.

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