As múmias modernas mais famosas são Vladimir Ilyich Lênin, o revolucionário russo, e Eva Perón, a reverenciada esposa do presidente argentino Juan Perón. Lênin morreu em 1924, logo após a descoberta do túmulo do rei Tutancamon, um evento que influenciou a decisão de preservar o corpo de Lênin e exibi-lo no Kremlin. Os químicos e procedimento exatos que mantêm seu corpo perfeitamente preservado são um segredo de estado da Rússia, mas sabemos que a mumificação é um processo contínuo no qual os russos periodicamente o imergem em um banho preservador; depois, o vestem com um terno impermeável para manter os líquidos dentro.
Assim como Lênin, o corpo de Eva Perón foi preservado de maneira tão perfeita que ela parece estar viva. Eles conseguiram isso com um método de embalsamamento revolucionário que basicamente substituiu todos os líquidos do corpo dela por cera. Na verdade, Perón e outras múmias semelhantes são bastante parecidas com os bonecos que vemos em um museu de cera, exceto, é claro, por serem restos de uma pessoa.
Nos anos 70, um grupo de cientistas expandiu essa idéia para criar um processo chamado de plastinação. Nesse complicado processo, toda a água e os lipídios das células corporais são substituídos por polímeros, fazendo com que o corpo adquira as propriedades do plástico: durabilidade, flexibilidade, sem odor forte e, o mais importante, sem decomposição. A plastinação é utilizada na preservação de partes de corpos para pesquisas anatômicas e ensino, mas também pode ser usada artisticamente. Em uma exposição polêmica que percorreu a Europa e a Ásia, corpos humanos plastinados nus foram esculpidos em formas selvagens e colocados em poses ativas. A exposição exibiu todo funcionamento interno do corpo humano, tanto em corpos saudáveis como doentes.
O dr. Bob Brier, um renomado egiptólogo, usou uma abordagem bem diferente em sua múmia moderna. Em vez de avançar o processo de mumificação com novas tecnologias, ele se arriscou a imitar a técnica egípcia da maneira exata em que era feita. Em 1994, ele conseguiu realizar esse feito na Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, obtendo resultados fascinantes. Entre outras coisas, seu experimento demonstrou que era o processo de mumificação egípcia em si, em vez dos milhares de anos lacrados em um caixão, que dava às múmias egípcias sua aparência enrugada.
Temos certeza de que a tecnologia da mumificação continuará a evoluir no futuro. Arrisco-me a apostar que grande parte desse desenvolvimento será feito com tecnologias que busquem preservar cadáveres para que possam ser trazidos de volta à vida no futuro (a criogenia é um exemplo disso). Como os antigos egípcios, muitas pessoas estão gastando uma fortuna com esse tipo de serviço atualmente, na esperança de que a ciência algum dia possa ser capaz de reverter aquilo que as matou. É muito interessante que, nos milhares de anos que se passaram desde os antigos egípcios, as pessoas ainda vejam a mumificação como uma maneira de garantir sua imortalidade.
Nos filmes e crenças populares sobre as múmias, qualquer um que entre em contato com o túmulo de uma múmia sentirá o poder de sua ira. Essa idéia existe porque os antigos egípcios realmente escreveram esse tipo de maldição na parte externa dos túmulos. Mas eles faziam isso como um sistema de segurança antigo para impedir saqueadores de entrarem no local e roubarem as posses do morto. Para você não ficar tão curioso, vou dizer o que estava escrito em uma dessas maldições: "Qualquer um que ouse trazer sua impureza para este túmulo, quebrarei seu pescoço como se faz a um pássaro". No início do século XX, época em que a escavação de túmulos e sarcófagos atingiu seu pico, as pessoas eram fascinadas por esse tipo de maldição. Contribuíram bastante para criar essa fascinação os acontecidos na escavação que a equipe de Howard Carter fez no sarcófago do rei Tutancamon, em 1922. Supostamente, na primeira vez em que a equipe entrou no túmulo, uma cobra engoliu o canário da sorte de Carter e, após sete anos, 11 membros da equipe haviam morrido, aparentemente vitimados pela maldição da múmia. O microbiólogo alemão Gotthard Kramer acha que pode haver um fundo de verdade nessas maldições antigas. Como as múmias foram enterradas com alimentos para o próximo mundo, esses alimentos produziram vários esporos de fungos. E quando arqueólogos ou saqueadores abrem um túmulo, esses esporos voam pelo ar e são inalados pelos invasores. Mas isso não seria um problema, não fosse por outra descoberta de Kramer: alguns desses antigos esporos podem causar doenças ou até mesmo a morte, o que faria que o prometido castigo inscrito na porta do túmulo acabasse ocorrendo de verdade. |
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