![]() Foto cedida por North Carolina Museum of Art Invólucro da múmia de Amonred, por volta de 945 a 712 a.C. |
Os embalsamadores deixavam o corpo nesse pó durante períodos de 35 a 40 dias, tempo suficiente para que desidratassem completamente. Como o odor forte dos cadáveres atraía animais necrófagos do deserto, era necessário que alguém ficasse de guarda durante esse período de espera. Quando esses 40 dias chegavam ao fim, o corpo era levado ao Wabet, a "Casa de Purificação". Os trabalhadores removiam o incenso e o material restante da cavidade corporal e preenchiam-na com natrão, linha embebida em resina e outros materiais. Houve algumas eras em que, para fazer com que o corpo ficasse mais semelhante a como era quando vivo, os embalsamadores também colocavam materiais debaixo da pele dos braços, pernas e cabeça. Ao final do processo de preenchimento, os embalsamadores costuravam as incisões e cobriam a pele com uma camada de resina, como uma maneira de evitar a umidade. E então, finalmente, o corpo estava pronto para ser embrulhado, ou enfaixado.
Esse processo era muito meticuloso e costumava levar de uma a duas semanas para ficar pronto. Enquanto o falecido secava no deserto, sua família colhia cerca de 372 metros quadrados de linho e levava aos embalsamadores. Enquanto os mais abastados algumas vezes levavam material que havia servido de roupa a estátuas sagradas, as classes inferiores colhiam roupas velhas e outros itens da casa feitos de linho. Após a entrega do linho, os embalsamadores selecionavam o material de melhor qualidade e desfiavam-no em longas tiras, com 7 a 20 centímetros de comprimento.
Então, eles embrulhavam o corpo em uma mortalha e começavam, de acordo com um método específico, a passar as tiras ao redor das diferentes partes do corpo. O normal era começar pelas mãos e pés, enfaixando cada um dos dedos individualmente, para depois irem para a cabeça, braços, pernas e tronco. Uma vez terminado o trabalho das partes individuais, os embalsamadores embrulhavam o corpo como um todo, cobrindo cada camada de linho com resina quente para colar as tiras. Durante o processo todo, os embalsamadores entoavam cantos e colocavam amuletos protetores sobre o corpo (para protegê-lo no próximo mundo), embrulhando-os em camadas diferentes.
![]() Com a evolução do conceito egípcio da vida após a morte, sarcófagos e túmulos cada vez mais elaborados começaram a ser usados para proteger e honrar os mortos |
![]() Foto cedida por NC Museum of Art. Recipiente e máscara funerária de uma múmia de 300 a.C. |
Após a múmia ter sido completamente enfaixada, os embalsamadores anexavam uma rígida cartonagem protetora ao corpo e colocavam uma máscara funerária na cabeça. Esse novo rosto, que podia ser semelhante ao rosto do falecido ou uma representação de um deus egípcio, desempenhava um importante papel na passagem para a outra vida, pois ajudava o espírito do falecido a encontrar o corpo correto entre os diversos túmulos.
Quando a múmia ficava pronta, era abrigada em um suhet, um caixão decorado de forma a parecer com uma pessoa. O suhet era levado ao túmulo durante uma procissão de luto. No túmulo, o sacerdote, vestido como o deus chacal Anúbis, realizava a "cerimônia da boca", um ritual em que tocava objetos sagrados no rosto do suhet para dar ao falecido a habilidade da fala, visão, tato, audição e paladar no próximo mundo. Depois, o suhet era encostado contra a parede interna do túmulo, onde era lacrado com toda a comida, móveis e suprimentos de que o morto precisaria no outro mundo.