Removendo órgãos

Os egiptólogos determinaram que os rituais de mumificação seriam realizados na Terra Vermelha, uma região desértica longe das áreas muito populosas, com fácil acesso ao rio Nilo. O bom senso sugere que os embalsamadores trabalharam em tendas abertas, em vez de em estruturas sólidas, para que tivessem uma ventilação adequada.


Foto cedida por David Lawrence, do University of Illinois Mummy Project
Uma tomografia computadorizada de uma múmia egípcia do século II. Pesquisadores da Universidade de Illinois fizeram tomografias de uma "fatia" da múmia de cada vez e usaram os dados obtidos para juntar um modelo em 3-D do corpo. Se quiser saber mais sobre o projeto, clique aqui (site em inglês).

Antes de começar o processo de embalsamamento, os egípcios levavam o corpo ao Ibu, o "Local de Purificação". Nesse local, eles lavavam o corpo com água do Nilo, representando uma espécie de renascimento, como se a pessoa estivesse passando deste mundo para o próximo. Após limparem o corpo, eles o transportavam ao Per-Nefer, a "Casa de Mumificação", onde começariam o processo de embalsamamento.

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Os embalsamadores passavam a maior parte do tempo trabalhando nos cadáveres da realeza e outros membros das classes superiores. Faziam incisões precisas e removiam cuidadosamente cada um dos órgãos, para que também pudessem ser preservados fora do corpo.

Já o "pacote econômico" era um pouco menos suntuoso: os embalsamadores injetavam no corpo uma mistura oleosa que preenchia toda a cavidade do tronco. Depois, tapavam todos os orifícios do corpo e deixavam o óleo agir por vários dias. Quando finalmente destapavam os orifícios, todo o óleo saía, levando junto os restos liquefeitos dos órgãos internos.

No Per-Nefer, eles deitavam o corpo em uma mesa de madeira e se preparavam para remover o cérebro. Após a retirada, lavavam o crânio com água. O interessante é que o cérebro era um dos poucos órgãos que os egípcios não tentavam preservar, já que não tinham certeza de sua função. Apenas presumiam que ele não seria necessário na próxima vida.

Após removido o cérebro, os embalsamadores pegavam uma lâmina especial na obsidiana (uma pedra sagrada), faziam uma pequena incisão no lado esquerdo do corpo, removiam os órgãos abdominais cuidadosamente por essa abertura e os guardavam (com exceção dos rins, que os egípcios também achavam não ter importância). Uma vez removidos esses órgãos, os embalsamadores abriam o diafragma para retirar os pulmões. Um órgão muito importante para os egípcios era o coração, que eles achavam ser o núcleo de uma pessoa, a moradia das emoções e do pensamento, e por isso quase sempre o deixavam no corpo. Os outros órgãos eram lavados, cobertos com resina, embrulhados em tiras de linho e armazenados em peças de cerâmica decorativa. Esses recipientes, chamados de vasos canopos, protegiam os órgãos durante a passagem para o próximo mundo.

A próxima etapa era lavar a cavidade torácica com vinho de palmeira para purificá-la. Em seguida, preenchiam a cavidade com incenso e outros materiais para preservar a forma que o corpo tinha em vida, o que evitava que a pele encolhesse e entrasse na cavidade quando o corpo estivesse desidratado. Na próxima seção, vamos estudar esse procedimento de desidratação e ver como o corpo era finalmente preparado para entrar no próximo mundo.