![]() Foto cedida por Bill Wiegland, do University of Illinois Mummy Project Esta múmia egípcia do século II d.C., de uma criança, foi alvo de várias pesquisas. Os cientistas da Universidade de Illinois usaram raios X e tomografia computadorizada para examiná-la sem ter de retirar as ataduras. Graças a essas tecnologias eles puderam colher informações sobre o histórico médico da criança e sobre os processos usados na preservação do cadáver. |
Como você deve ter imaginado, porém, o corpo, totalmente fechado, não era mais exposto às propriedades desidratantes da areia. Os líquidos permaneciam no corpo, as bactérias comemoravam e a carne era decomposta naturalmente. Isso trouxe à tona um verdadeiro dilema: eles não queriam deixar seus entes queridos completamente cobertos pela areia, mas também não queriam que os corpos se reduzissem a esqueletos. A maneira de garantir a sobrevivência e o conforto após a morte foi pedir que os cientistas egípcios descobrissem uma maneira de replicar as características de preservação que o deserto possuía.
Nos primórdios da mumificação, os embalsamadores se concentraram mais em proteger os corpos dos elementos. Embrulhavam firmemente o corpo em tiras de linho embebidas em resina e, com a aplicação cuidadosa dessas ataduras, os embalsamadores conseguiam criar boas formas, fazendo com que os cadáveres ficassem mais semelhantes aos vivos. Esses cadáveres embrulhados impressionavam bastante, mas a verdade é que as ataduras não ajudavam muito no sentido de parar a decomposição. As bactérias continuavam a se divertir lá dentro, reduzindo o corpo a um punhado de ossos.
Após várias experiências, os egípcios descobriram que a decomposição acontecia, em grande parte, de dentro para fora. As bactérias se juntavam primeiro nos órgãos internos do corpo e, daí, partiam para o resto do corpo. Os embalsamadores perceberam que, para interromper o processo de putrefação, teriam de remover os órgãos internos. E foi esse fato, combinado com a descoberta de um agente desidratante natural, o natrão, que possibilitou a criação das múmias egípcias que conhecemos hoje em dia.
Como a ciência e a teologia do embalsamamento continuaram a evoluir no decorrer dos anos, não existe um ritual egípcio único. Mas as práticas padrão usadas da 18ª à 20ª dinastia do Novo Reinado (de 1570 a 1075 a.C.), uma época que produziu algumas das múmias mais bem preservadas, são bem comuns. Nas próximas seções, vamos olhar todo o procedimento de mumificação desse período para descobrir o que estava envolvido na preservação do corpo para o próximo mundo.