O que é uma múmia

Uma múmia não é nada mais do que um ser humano cujo corpo foi preservado por muito tempo após sua morte. Normalmente, quando uma pessoa morre, o processo de decomposição consome todas as partes do corpo, com exceção do esqueleto, em questão de meses. A taxa de decomposição depende de vários fatores, sendo que o ambiente ao redor é o principal deles.


Um sarcófago aberto revela os restos mumificados existentes no interior

Na maioria dos ambientes, os primeiros estágios de decomposição começam em algumas horas, e são marcados pela autólise, processo no qual os órgãos que contêm enzimas digestivas (os intestinos, por exemplo) começam a digerir a si mesmos.

Depois da autólise vem a putrefação, na qual as bactérias começam a decompor a matéria orgânica. Em climas temperados, a putrefação começa cerca de três dias após a morte, fazendo com que o corpo seja reduzido a um esqueleto dentro de alguns meses. Em temperaturas mais quentes e úmidas, no entanto, esse processo é acelerado porque as bactérias se reproduzem mais rapidamente nessas condições. Quando o clima é mais frio e seco, a velocidade do processo é retardada, pois as bactérias precisam de calor e água para prosperar (é por isso que usamos geladeiras para preservar os alimentos). Se as condições estiverem frias ou secas o bastante, ou caso não haja oxigênio suficiente, o ambiente fica tão inóspito que poucas bactérias conseguem sobreviver, fazendo que o corpo não se decomponha completamente por milhares de anos.

Múmia
Uma dúvida comum sobre as múmias é como elas ganharam esse nome. O termo "múmia" foi usado pelos primeiros nômades árabes que visitavam o Egito. Quando esses visitantes viam algumas múmias que haviam sido cobertas com uma resina negra, presumiam que o processo de embalsamamento envolvia mergulhar os corpos em betume, um componente escuro e pegajoso do piche. Baseados nesse mal-entendido, chamaram os corpos preservados de "múmias," pois betume, em árabe, é mummiya.

Há várias circunstâncias que podem levar à mumificação. Na natureza, corpos já foram preservados no gelo de geleiras, nas profundezas sem oxigênio de turfeiras e no solo árido do deserto. O "homem de gelo", descoberto em 1991 por turistas nos Alpes italianos, é uma das múmias naturais mais incríveis já encontradas. Trata-se de um cadáver de 5.300 anos de idade, encontrado com ferramentas preservadas em perfeito estado, que morreu em um vão, no meio das rochas, que rapidamente se encheu de neve. O que essa circunstância fez, basicamente, foi criar uma geladeira natural que preservou os tecidos do corpo. Essa simples múmia forneceu muitas informações sobre a Idade do Cobre na Europa, incluindo algumas referentes a tecnologia, saúde e práticas de tatuagem.

Em certos casos, as múmias naturais alteraram significativamente nossa concepção da história. Por exemplo, múmias encontradas no Deserto de Taklimakan, na China, forneceram várias dicas sobre a linhagem dos habitantes modernos daquela região, pois a estrutura dos rostos das múmias mostraram que os habitantes da região tinham ascendência indo-européia. Um homem, que viveu por volta do ano 1.000 a.C., tem uma interessante tatuagem em forma de raio de Sol na têmpora, uma figura muito semelhante a um antigo símbolo de um deus indo-iraniano. Esse fato, junto a outras evidências preservadas com as múmias, indica que a região foi colonizada por mercadores indo-europeus séculos antes de a dinastia chinesa de Han chegar ao local.

No caso dessas múmias, o processo de preservação foi possível por causa da areia quente que rodeava seus túmulos. Quando corpos são enterrados em areia quente, sem o uso de qualquer estrutura de proteção, a areia pode absorver os líquidos corporais, desidratando-os por completo. Esse processo natural de mumificação também ocorreu nos antigos túmulos egípcios. Quando um corpo era enterrado no deserto daquele país, os órgãos internos eram preservados e a pele virava uma casca escura e rígida. E foi esse fenômeno que influenciou profundamente as crenças dos antigos egípcios: a idéia de que o corpo humano poderia sobreviver por muito tempo após a morte os fez acreditar que a mesma coisa aconteceria com o espírito. Na próxima seção, vamos ver como essas primeiras múmias naturais levaram ao tão conhecido processo artificial de mumificação usado pelos egípcios.

Mumificar para quê?
Os egípcios eram muito interessados na vida após a morte, e não precisa nem explicar o porquê: a vida no deserto era extremamente difícil, o que os levava a imaginar um mundo dos sonhos que existiria além da morte. Se o indivíduo estivesse preparado, os três espíritos que o compõem (Ka, Ba e Akh) iriam para esse mundo após a morte. Para que pudessem viver confortavelmente nesse novo mundo, os espíritos precisariam de todos as comodidades da vida diária, incluindo alimentos, roupas e móveis.

Outra coisa de que precisariam é que seu antigo corpo fosse preservado na Terra, pois o Ka, o espírito que acompanhava o corpo físico durante a vida, estava ligado de forma inexorável ao cadáver. Caso esse cadáver fosse destruído, o espírito seria destruído junto com ele, levando a uma segunda morte, que, diferentemente da primeira, era irreversível. Se levarmos isso em consideração, dá para entender por que era tão importante mumificar o corpo físico.