Cada grupo humano sobreviveu como caçador-agricultor durante milhares de anos. Há cerca de 10 mil anos, o homem desenvolveu a tecnologia da lavoura. Essa tecnologia não se desenvolveu em um local e, lentamente, espalhou-se pelo mundo - surgiu independentemente em muitos lugares diferentes. A agricultura foi um sucesso, pois podia sustentar populações maiores com uma quantidade menor de terra. O fim da era glacial melhorou as condições climáticas em muitas regiões, tornando a lavoura mais lucrativa. Embora muitas sociedades mantivessem uma existência de caçador-agricultor mesmo nos tempos modernos, o sucesso da agricultura acabou com as constantes migrações humanas que faziam parte do estilo de vida caçador dos nômades do mundo inteiro. Os humanos ainda migraram depois do desenvolvimento da lavoura, mas isso não era mais o aspecto central de suas vidas.
![]() TONY KARUMBA/AFP/Getty Images Membros da tribo de caçadores-agricultores da costa do Quênia, os Boni, mostram favos de mel secos. Os Boni, agora com apenas 4 mil membros, mantiveram um estilo de vida tradicional de caça e colheita ao lado de uma agricultura insignificante. |
A migração que ocorria ainda era decorrente das mesmas razões básicas - clima e comida. Em vez de migrarem atrás dos rebanhos, as pessoas migrariam para regiões com melhores solos. Sem técnicas modernas de lavoura, os primeiros fazendeiros podiam usar todos os nutrientes existentes no solo por uma ou duas gerações, forçando a migração para terras não cultivadas. As mudanças climáticas podiam causar secas ou enchentes que também forçavam as migrações.
As migrações tendem a seguir caminhos onde os recursos sejam fáceis de se conseguir. As costas e os rios, com suas terras férteis e peixes, quase sempre são os primeiros lugares a ser habitados. Os humanos não iam para o interior nem para regiões menos hospitaleiras, até que as pressões da população os forçaram a fazer isso.
A agricultura teve um efeito enorme na humanidade: formou a base de toda a civilização humana moderna. O fim das constantes migrações e a capacidade de suportar populações maiores levaram à criação de cidades, estados, governos, religiões organizadas, sistemas monetários e exércitos. Nada disso seria possível com uma população nômade.
Até a abolição da escravatura pelos Estados Unidos (durante a Guerra Civil americana), a Europa e a América do Norte participaram de um poderoso e lucrativo comércio de escravos. As pessoas eram capturadas na África e enviadas através de milhares de navios negreiros. Uma vez na América, eram vendidos em mercados e obrigados a trabalhar pelo resto da vida. Esse foi o único tipo de migração em que os africanos não foram forçados por nenhuma das pressões da população habituais. Milhões de africanos (estima-se que 20 milhões) foram forçados a sair de seu continente [fonte: Universidade de Calgary (em inglês)]. Esse foi um fluxo maciço de pessoas para o Novo Mundo que, do contrário, não teriam migrado nessas proporções. |
A Revolução Industrial
Os milhares de anos que seguiram o desenvolvimento da agricultura certamente tiveram migrações, mas o próximo acontecimento a criar grandes mudanças na natureza da migração foi a Revolução Industrial. Durante os séculos 17 e 18, a Revolução Industrial mecanizou a produção de bens e alimentos. Ela também levou à urbanização contínua do mundo.
Antes da Revolução Industrial, as comunidades eram relativamente pequenas, com centros econômicos descentralizados que atendiam a cada cidade. Por exemplo, uma cidade podia ter um moinho que processasse os grãos de fazendas próximas e algumas fábricas comandadas por artesãos locais. A industrialização viu o crescimento das fábricas, maciços centros produtores que ofereciam centenas ou milhares de empregos. As pessoas migraram das áreas rurais ou semi-rurais para as cidades em busca desses muitos empregos.
Em 1790, a cidade de Nova Iorque tinha uma população de aproximadamente 33 mil habitantes. Quinze anos depois, passou a ter mais de 300 mil [fonte: Agência Americana de Censo]. Essa taxa de crescimento ultrapassa o crescimento da população nacional [fonte: Agência Americana de Censo]. Em 2005, quase metade das pessoas no mundo vivia em uma cidade, um número que tem crescido continuamente e tende a continuar aumentando [fonte: UN]. Alguns países chegam a ser 80%, ou mesmo 90% urbanizados [fonte: Indicadores de Desenvolvimento Mundial].