Primeira migração humana

Autor: 
Ed Grabianowski

Não há nenhum registro histórico que siga os padrões migratórios dos primeiros seres humanos. Os cientistas juntam a história da migração humana examinando as ferramentas, a arte e os locais de sepultamento que deixaram para trás e traçando padrões genéticos. Fazem isso analisando o DNA mitocondrial (mtDNA), que é passado da mãe para os filhos sem ser combinado com o código genético do pai. Podemos observar o mtDNA de duas pessoas que viveram a milhares de anos e de quilômetros de distância e, se o código genético do seu mtDNA for o mesmo, sabemos que eles eram ancestral e descendente [fonte: PBS NOVA (em inglês)].

cientista procurando fósseis de hominídeo em Olorgasailie
Kenneth Garrett/National Geographic/Getty Images
Cientista procurando fósseis de hominídeo em Olorgasailie, local de descoberta de amostra do Homo erectus, encontrada por Rick Potts. Essa amostra é o primeiro fóssil de hominídeo encontrado após mais de 60 anos de trabalho em Olorgasaili.

O exame do mtDNA é útil por outra razão - ele acumula mutações com certa rapidez. Os cientistas conseguem ver a quantidade existente de mutações e determinar aproximadamente a idade dessa linha genética. Comparando o número de mutações do mtDNA encontradas nas pessoas de diferentes localidades, podemos dizer onde os seres humanos chegaram primeiro. Quanto mais mutações, mais tempo eles viveram naquela região. Todo o mtDNA encontrado em certas partes da África tem mais mutações do que qualquer outro mtDNA no mundo. Essa evidência sustenta a teoria Fora da África. Entretanto, mesmo com essas pistas, muitas informações sobre as primeiras migrações humanas são duvidosas.

Rotas da primeira migração

Quando os humanos deixaram primeiro a África, seguiram pela costa, onde os recursos eram abundantes. A primeira onda de migração cruzou o Oriente Médio, foi para o sul da Ásia e, finalmente, seguiu para a Austrália [fonte: National Geographic (em inglês)]. Isso aconteceu aproximadamente entre 90 mil e 30 mil anos atrás [fonte: Haywood]. Outras ondas de migração se seguiram. Entre 40 mil e 12 mil anos atrás, as pessoas saíram do norte em direção à Europa. Entretanto, seu alcance era limitado por uma placa de gelo que se estendia na parte norte da Europa continental.

As condições geladas da época também ajudaram a expandir o território da humanidade primitiva. Uma placa maciça de gelo, associada a níveis do mar mais baixos, formou uma ponte entre a Sibéria e o Alasca que chamamos Beringia. Os primeiros humanos andaram, há mais de 30 mil anos, mudando para a costa oeste da América do Norte [fonte: National Geographic (em inglês)].

Outras fontes sugerem uma migração norte-americana mais recente, começando há cerca de 15 mil anos [fonte: Haywood]. Novas evidências parecem continuar empurrando a data da primeira habitação norte-americana para essa época. Os seres humanos finalmente se espalharam pela América do Sul e seguiram pelo leste para o que atualmente é o leste dos Estados Unidos e Canadá. Essa teoria da colonização da América do Norte é sustentada pela prova do mtDNA e pela semelhança das estruturas dentárias das populações norte-americanas e siberianas da época.

Há muito tempo, há outras teorias de que os primeiros humanos atravessaram o Oceano Atlântico, da África para a América do Sul ou Caribe, ou a Europa, da Groenlândia para a América do Norte. Embora tenha sido possível fazer tal viagem usando a tecnologia de navegação disponível, é improvável que uma migração em grande escala tenha ocorrido dessa maneira.

A primeira expansão da humanidade pela Terra aconteceu principalmente devido à comida e ao clima. As tribos nômades com algumas dezenas de pessoas provavelmente seguiram os padrões de migração dos animais que caçavam. A mudança climática abriu novos caminhos para a caça, da mesma forma que a tecnologia, como o domínio do fogo e da conservação de alimentos, permitiu que o homem vivesse em condições abaixo do ideal. A capacidade humana de se adaptar a novas circunstâncias não apenas deu aos homens primitivos uma vantagem em relação ao Homo erectus, como também facilitou a expansão global.

A rota costeira

A migração da Sibéria para a América do Norte talvez não tenha sido feita sobre uma ponta de gelo/terra. Outra teoria sugere que os colonizadores usaram o caminho do mar que estreitou as costas e as ilhas ao longo do caminho­. Eles paravam nas pequenas porções de terra que não estavam cobertas de gelo, finalmente, afastando-se para o sul, onde a terra já estava completamente sem gelo [fonte: National Geographic (em inglês)].

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