A evolução da migração

monarch butterflies on a branch
Howie Garber/Getty Images
Borboletas monarca migram para a Reserva de Borboletas Monarca El Rosario, no México, para o inverno
Os instintos migratórios se desenvolveram em diferentes espécies por diferentes razões, mas, na maioria das vezes, eles constituem respostas à pressão populacional. A maioria das migrações segue o padrão "deixar um lugar frio em troca de um lugar quente, e depois retornar no verão". Assim, por que uma espécie viveria em um lugar frio demais para ela durante parte do ano?

A primeira hipótese seria a de que os animais inicialmente viviam em áreas que eram quentes ao longo de todo o ano e, com isso, não precisavam migrar. À medida que as populações cresciam, os recursos escasseavam. Nos meses quentes, as latitudes setentrionais eram relativamente hospitaleiras e, por isso, alguns membros da espécie expandiram seu alcance e começaram a viver nessas áreas. Quando o inverno chegava, o alimento se tornava escasso e o frio era forte demais, por isso os animais se deslocavam temporariamente para latitudes mais quentes [fonte: Drickamer].

Uma segunda hipótese é que alterações climáticas sejam as responsáveis pelo fenômeno. Espécies que viviam no norte conseguiam viver na área o tempo todo quando o clima era mais quente. Com a passagem de dezenas de milhares de anos, o clima gradualmente mudou, os invernos se tornaram frios demais e as espécies se viram forçadas a viajar para o sul a cada ano.

A verdade sobre a migração pode envolver uma combinação das duas hipóteses e, provavelmente, difere de espécie para espécie. No entanto, a primeira teoria é mais provável - a pressão populacional é a força que propele a maior parte das migrações e, de fato, a maior parte da evolução. As alterações climáticas podem ter influenciado a formação ou o processo dos padrões migratórios, mas não representam a força primária.

Borboleta monarca

A maioria dos insetos hiberna no inverno, mas algumas poucas espécies migram - e nenhuma delas de maneira mais espetacular que as borboletas monarcas. Com a aproximação do outono, as borboletas começam a se aglomerar em seus lares de verão em todo o território da América do Norte. Elas partem rumo ao sul para seus locais de paradeiro de inverno no México, uma jornada de mais de 1,6 mil quilômetros. Na primavera, voltam para casa.

A migração anual das monarcas não é só bela, mas também fascinante e misteriosa. A migração dura mais do que a vida média de uma borboleta monarca. As monarcas que fazem o percurso desaceleram seu metabolismo de maneira a sobreviver por tempo suficiente. Isso significa que uma borboleta monarca jamais fará a viagem duas vezes. De fato, duas ou três gerações de monarcas se sucederão antes que um novo grupo migre. Mas os descendentes de cada monarca seguem o mesmo percurso da migração de sua ancestral e, ocasionalmente, pousam nas mesmas árvores que ancestrais distantes. Ninguém sabe ao certo como encontram o caminho, ainda que possam estar utilizando o sol, referências visuais ou o faro [fonte: Washington NatureMapping Program].