Pistas migratórias

Os animais evidentemente não têm calendários em suas paredes. O que informa a um animal que é hora de migrar?

Alguns dependem do fotoperíodo - o volume de luz solar em cada determinado dia. À medida que os dias se tornam mais curtos, os instintos informam aos animais de que o inverno está chegando e que, por isso, é hora de viajar para o sul (explicaremos mais tarde como eles sabem que direção é o sul). Experiências demonstraram que animais expostos a fotoperíodos artificiais constantes agirão como se os fotoperíodos que experimentam fossem naturais [fonte: Purves].

arctic terns and icebergs
Frans Lemmens/Getty Images
Andorinhas-do-mar árticas voam sobre os icebergs

E para os animais que não são capazes de ver o sol, como é o caso dos que hibernam em cavernas? Alguns animais reagem à temperatura. Também podem responder a indicações internas, por exemplo o volume de reservas de gordura disponível em seus corpos. Alguns padrões de migração seguem um rigoroso equilíbrio - quando as reservas de gordura se reduzem devido a uma queda no suprimento de comida, é hora de procurar moradias de inverno mais generosas. Mas os animais precisam reter certa quantidade de gordura para dispor de energia para a jornada. A evolução organizou esses processos de maneira que, salvo interferência externa, os instintos requeridos funcionem perfeitamente.

Na ausência de estímulos externos, muitos animais, ainda assim, sabem quando migrar e quando voltar para casa. Os ritmos circadianos e os ritmos anuais são calendários internos que fazem parte do sistema nervoso dos animais [fonte: Purves]. Não compreendemos plenamente esses ritmos, mas eles estão vinculados a padrões de atividade cerebral que se alteram dependendo da hora do dia, dos fotoperíodos e das estações. Os humanos também os têm, embora não os utilizem para migração.

Sooty Shearwaters

O sooty shearwater é uma ave da Nova Zelândia, semelhante ao albatroz, e sua procriação acontece no verão do hemisfério sul. Quando o tempo esfria, o pássaro voa para o norte e chega à porção norte do Pacífico, onde se acomoda nas costas da Califórnia, Japão e Alasca. Esse padrão migratório é notável porque é o mais longo já confirmado por um sistema eletrônico de rastreamento. O percurso total de vôo dos sooty shearwaters em sua migração anual (para o norte e de volta ao sul) pode superar os 64 mil quilômetros. Acredita-se que eles aproveitem imensas correntes de vento para facilitar a jornada [fonte: National Geographic (em inglês)].

A andorinha-do-mar pode percorrer rotas de migração até mais longas do que as do pássaro neozelandês, voando do Ártico à Antártida, e depois de volta. Cada uma dessas aves acumula cerca de 800 mil quilômetros de vôo ao longo de sua vida [fonte: British Trust for Ornithology (em inglês)].