A motivação central de todas essas diferentes formas de migração é o instinto de sobrevivência. A maioria das migrações permite que uma espécie prospere ao deixar uma área em que não existe alimento suficiente para sustentar sua população. Elas também impedem o esgotamento das fontes de alimentos em uma área, em longo prazo. Esses movimentos periódicos significam que cada espécime individual tem mais chance de encontrar comida suficiente em determinado local.
![]() Joel Sartore/National Geographic/Getty Images No Refúgio Nacional de Fauna Bosque del Apache, no Novo México, um grou alisa suas penas em meio a outras aves que estão em busca de comida |
![]() Doug Allan e Sue Flood/Getty Images Baleia corcunda e filhote no Pacífico Sul, Tonga, Vava'u |
Algumas migrações são propelidas tanto pela necessidade de alimentos quanto pela de reprodução. As baleias do gênero balaenoptera, que incluem as baleias cinzentas, azuis, minke e corcundas, viajam rumo ao norte no verão (ou ao sul, caso vivam no hemisfério sul). Nas águas frias do pólo, encontram vastas quantidades de seu alimento predileto, o krill - uma minúscula criatura semelhante aos camarões. Mas as baleias jovens não têm uma camada de gordura suficiente para protegê-las do frio, de modo que elas retornam a águas tropicais a cada verão a fim de procriar [fonte: Bolen]. As rotas de migração variam de espécie para espécie, mas muitas têm extensão de milhares de quilômetros. A migração das baleias cinzentas as leva a distâncias de até nove mil quilômetros do ponto inicial [fonte: SeaWorld/Busch Gardens (em inglês)].
O grou é a ave mais alta da América do Norte, mas a destruição de seus habitats praticamente eliminou a espécie. Em determinado momento, restavam menos de 20 espécimes da ave em liberdade [fonte: Cornell Lab of Ornithology (em inglês)]. Toda a população de grous do leste do país desapareceu. Os grous do oeste se recuperaram, até certo ponto, mas os biólogos desejavam restaurar a presença da espécie no leste dos Estados Unidos. Isso acarreta problema maior do que simplesmente transferir algumas famílias de grous. As aves aprendem a voar para seus terrenos de alimentação no inverno quando são jovens, seguindo seus pais. Como não restam grous vivendo no leste, os grous mais velhos não conhecem o caminho. Assim, cientistas desenvolveram um método interessante para ensinar aos grous como migrar. Filhotes de grous nascidos em populações cativas são criados por humanos que se "fantasiam" como grous, e são acostumados ao som de um avião ultraleve. Quando chega a hora de migrar, as aves são conduzidas em uma jornada de 1,9 mil quilômetros por um piloto no ultraleve. Elas viajam do Wisconsin à Flórida. A esperança é que, quando os grous aprenderem a rota, consigam ensiná-la com sucesso às suas crias e, assim, recriar a população desse tipo de ave no leste do país, dispensando a necessidade de guias humanos de migração [fonte: U.S. Fish and Wildlife Service (em inglês)]. |