Por que migrar?

A motivação central de todas essas diferentes formas de migração é o instinto de sobrevivência. A maioria das migrações permite que uma espécie prospere ao deixar uma área em que não existe alimento suficiente para sustentar sua população. Elas também impedem o esgotamento das fontes de alimentos em uma área, em longo prazo. Esses movimentos periódicos significam que cada espécime individual tem mais chance de encontrar comida suficiente em determinado local.

whooping crane among sandhill cranes
Joel Sartore/National Geographic/Getty Images
No Refúgio Nacional de Fauna Bosque del Apache, no Novo México, um grou alisa suas penas em meio a outras aves que estão em busca de comida

Embora as migrações em busca de alimento possam acontecer de maneira muito regular, existem diversas variáveis que podem afetar a disponibilidade de alimentos, entre as quais o clima e o nível de população de outras espécies que compartilhem do mesmo território. Por esse motivo, algumas espécies usam padrões irregulares de migração que variam constantemente, adaptando-se a novas condições. Os gnus percorrem as planícies africanas em busca de água. Quando suas fontes regulares de água se esgotam, eles se encaminham para as savanas em busca de grama e de mais água. As migrações nas temporadas de seca podem ser alteradas pelo som de trovões e pelas nuvens de chuvas que os animais avistam [fonte: Bolen].

humpback whale and calf
Doug Allan e Sue Flood/Getty Images
Baleia corcunda e filhote no Pacífico Sul, Tonga, Vava'u
Os padrões de migração também beneficiam o acasalamento e a procriação, permitindo o nascimento de jovens animais em regiões com fontes mais ricas de alimentos, ou mais distantes de predadores perigosos. Os salmões chinook e outras espécies correlatas nascem em rios no noroeste dos EUA e depois se dirigem ao mar quando se tornam adultos. Mais tarde em suas vidas, voltam a subir os rios para acasalar, e depositam suas ovas no exato lugar em que nasceram. Os salmões jovens seriam vulneráveis demais aos predadores oceânicos e retornar ao seu ponto de origem garante que as ovas sejam depositadas em um local favorável à procriação. Quando os rios em que eles procriam são represados, os salmões enfrentam sérios problemas e, como resultado, as populações dessa espécie se reduziram drasticamente [fonte: Audubon Magazine (em inglês)].

Algumas migrações são propelidas tanto pela necessidade de alimentos quanto pela de reprodução. As baleias do gênero balaenoptera, que incluem as baleias cinzentas, azuis, minke e corcundas, viajam rumo ao norte no verão (ou ao sul, caso vivam no hemisfério sul). Nas águas frias do pólo, encontram vastas quantidades de seu alimento predileto, o krill - uma minúscula criatura semelhante aos camarões. Mas as baleias jovens não têm uma camada de gordura suficiente para protegê-las do frio, de modo que elas retornam a águas tropicais a cada verão a fim de procriar [fonte: Bolen]. As rotas de migração variam de espécie para espécie, mas muitas têm extensão de milhares de quilômetros. A migração das baleias cinzentas as leva a distâncias de até nove mil quilômetros do ponto inicial [fonte: SeaWorld/Busch Gardens (em inglês)].

Grou

O grou é a ave mais alta da América do Norte, mas a destruição de seus habitats praticamente eliminou a espécie. Em determinado momento, restavam menos de 20 espécimes da ave em liberdade [fonte: Cornell Lab of Ornithology (em inglês)]. Toda a população de grous do leste do país desapareceu. Os grous do oeste se recuperaram, até certo ponto, mas os biólogos desejavam restaurar a presença da espécie no leste dos Estados Unidos. Isso acarreta problema maior do que simplesmente transferir algumas famílias de grous. As aves aprendem a voar para seus terrenos de alimentação no inverno quando são jovens, seguindo seus pais. Como não restam grous vivendo no leste, os grous mais velhos não conhecem o caminho. Assim, cientistas desenvolveram um método interessante para ensinar aos grous como migrar.

Filhotes de grous nascidos em populações cativas são criados por humanos que se "fantasiam" como grous, e são acostumados ao som de um avião ultraleve. Quando chega a hora de migrar, as aves são conduzidas em uma jornada de 1,9 mil quilômetros por um piloto no ultraleve. Elas viajam do Wisconsin à Flórida. A esperança é que, quando os grous aprenderem a rota, consigam ensiná-la com sucesso às suas crias e, assim, recriar a população desse tipo de ave no leste do país, dispensando a necessidade de guias humanos de migração [fonte: U.S. Fish and Wildlife Service (em inglês)].