Os microorganismos e o meio ambiente

Autor: 
Alexandre Indriunas

Os microorganismos, mais especificamente sua relação com outros seres vivos, já foram apresentados nos tópicos anteriores. Vamos agora aprofundar um pouco mais as interrelações entre os micróbios e o meio ambiente.

Nosso planeta quando se originou era muito diferente do que ele é hoje: não havia oxigênio livre, a superfície do planeta era fortemente bombardeada por raios ultravioleta, o magma era constantemente lançado à frágil superfície da terra formando verdadeiras crostas de metais endurecidos, principalmente ferro. E mesmo nestas condições inóspitas, surgiu a vida. Originariamente pequenos microorganismos bastante distintos do que os que existem hoje. O único tipo de microorganismo que ainda existe e pode ter vivido naquela época é encontrado em fontes termais no fundo dos oceanos. Eles utilizam como fonte de energia principalmente compostos de enxofre.

Os primeiros organismos fósseis encontrados no planeta, enormes colônias de bactérias e algas, datam de 3,8 bilhões de anos e estes foram os responsáveis pela transformação daquele ambiente hostil.

A capacidade de organismos formarem seu próprio alimento através da absorção de luz e combinação de moléculas simples como água (H2O) e gás carbônico (CO2) (fotossíntese) revolucionou a face do planeta. A liberação de oxigênio (O2) para atmosfera, produto residual da fotossíntese, foi o agente transformador. O oxigênio passou a oxidar os metais da crosta formando as grandes jazidas de minérios da atualidade, mas também possibilitou, através do imenso volume de gás lançado, a formação da atmosfera. A então formada atmosfera viabilizou condições apropriadas para a manutenção da vida na superfície do planeta, pois o O2 passou a filtrar os raios ultravioleta e o gás carbônico, resíduo do processo de respiração dos organismos, criou uma barreira que mantêm as faixas de temperatura condizentes com o desenvolvimento da vida (efeito estufa).

Assim, a partir de processos como a fotossíntese e a respiração dos microorganismos, as condições para a evolução de organismos mais complexos estavam garantidas.

Base da cadeia alimentar dos mares

Porém os microorganismos não desapareceram da face da Terra, muito pelo contrário, foram, sim, evoluindo até as mais diversas formas conhecidas hoje (e muitas ainda desconhecidas). Seu papel como seres fotossintetizantes é vital para a produção de oxigênio. O fitoplâncton (organismos aquáticos microscópicos fotossintetizantes) que englobam principalmente algas são responsáveis por grande parte da produção de oxigênio. Grandes acidentes marinhos, como derramamentos de óleo de navios, têm um impacto muito grande neste grupo de organismos, e conseqüentemente na produção de oxigênio.O plâncton, que engloba o fitoplâncton e o zooplâncton (organismos aquáticos microscópicos não-fotossintetizantes), é a base da cadeia alimentar nos sistemas aquáticos. Estes microorganismos, algas, bactérias, protozoários e também minúsculos crustáceos e outros invertebrados servem de fonte de energia para outros organismos superiores.

Microorganismo no combate a poluição

Outro papel importantíssimo dos microorganismos, principalmente as bactérias e os fungos, é a sua ação como decompositores. Eles são responsáveis pela reintrodução da matéria orgânica à cadeia alimentar. Através da transformação de compostos mais complexos em compostos mais simples que eles possam absorver, para manter seu metabolismo e reprodução, os microorganismos conseguem absorver grandes quantidades de carbono e disponibilizá-la a outros organismos, quando se alimentam dos micróbios. A capacidade de transformação não se limita somente a compostos orgânicos, mas também de muitos compostos inorgânicos. Dessa forma, é possível o manejo do nitrogênio (um composto inorgânico) na rotação de culturas agrícolas, onde após a colheita, plantas leguminosas, associadas a bactérias fixadoras de nitrogênio, são reincorporadas ao solo, enriquecendo-o com este nutriente, favorecendo a cultura de outras espécies.

Esta capacidade de transformação de variadas substâncias químicas vem sendo direcionada para o emprego de microorganismos no processo de biorremediação, ou seja, o controle de poluentes por processos biológicos. Através de estudos, os cientistas selecionam microorganismos ou grupos destes, que em presença do agente tóxico, conseguem eliminá-lo ou transformá-lo em alguma substância que não seja tóxica. Desde a década de 80 as pesquisas têm avançado e muitos microorganismos já vem sendo utilizados para esse fim, as vantagens são a redução de custos, que em muitos casos podem chegar a 85%, além do próprio processo ser auto-controlado. A proliferação dos microorganismos vai depender da oferta da substância, assim inicialmente, quando a quantidade da substância a ser biodegradada é grande, os microorganismos se proliferam, e seu número decresce conforme a disponibilidade diminui.