Uso tecnológico dos microorganismos

Autor: 
Alexandre Indriunas

Os microorganismos são utilizados há milhares de anos na produção de bebidas e alimentos através do processo de fermentação, empiricamente mesmo quando as pessoas não sabiam direito o que eram microorganismos. Frutas e cereais são empregados na fabricação das mais variadas bebidas alcoólicas, como o vinho e a cerveja, e, posteriormente, destilando certos fermentados obtém-se as chamadas bebidas destiladas, como o uísque, vodka, saque e cachaça. Alimentos como os muitos tipos de queijos existentes são obtidos através da fermentação do leite.

Porém com os avanços dos conhecimentos sobre os microorganismos, houve não só a melhoria das técnicas tradicionais na produção de bebidas e queijos, como também nas técnicas de esterilização de embalagens e na pasteurização de alimentos. Não só a industria alimentícia se beneficiou, pois há várias aplicações de microorganismos para a produção de medicamentos, na bioengenharia e no controle de pragas e descontaminação ambiental.

A produção de medicamentos a partir de microorganismos, como a penicilina obtida de fungo, também foi melhorada e outros medicamentos foram produzidos, contudo a biotecnologia, originária dos avanços do conhecimento e das técnicas de recombinação genética, abriu novos horizontes para a indústria farmacêutica. O melhor exemplo é a produção de insulina, que anteriormente era de origem bovina, o que acarretava altos custos de produção e beneficiamento do produto, além de não ser apropriada a muitos insulinodependentes, porém com a obtenção de bactérias transgênicas, nas quais são inseridas as informações genéticas humanas para a produção de insulina, estes microorganismos a produzem não só somente em grande quantidade, com custo relativamente mais baixo, mas como também o produto final é perfeitamente compatível com todos os usuários, pois a insulina produzida é, geneticamente, de origem humana.

Uma doença bastante comum em certas culturas é a galha da coroa, causada por uma bactéria, Agrobacterium tumefaciens, que penetra no tecido vegetal e cria tumores causada pela indução de um crescimento desordenado das células. Esta capacidade de penetração foi utilizada pelos especialistas em genética para a criação de versões transgênicas da Agrobacterium, substituindo as informações genéticas que produzem tumores por informações de interesse, como produção de substâncias inseticidas ou resistências a pesticidas. Há ainda a utilização de outras bactérias e vírus tanto em produção agrícola quanto na pesquisa em técnicas com tecidos animais.

Algumas culturas sofrem grandes perdas devido à ação direta de insetos que as danificam ou, indireta, por serem vetores de outras pragas, assim, tem-se empregado atualmente microorganismos para seu controle biológico. A utilização de microorganismos é muito menos nociva a saúde humana que os inseticidas industriais e esta prática aponta como uma vertente econômica bastante viável. Esta é a técnica usada, por exemplo, na produção de alimentos orgânicos.

Sendo muitos microorganismos capazes de metabolizar inúmeros compostos químicos que os organismos superiores não conseguem, estes estão sendo empregados atualmente em na biorremediação, a fim de limpar lixo tóxico e poluentes eliminados no meio ambiente. Alguns fungos, mas principalmente bactérias, utilizam-se destas substâncias como forma de energia e os resíduos por elas gerados são na maioria das vezes inócuos ou de menor toxicidade.