A história do descobrimento dos microorganismos

Como são seres diminutos, os microorganismos só puderam ser vistos com o advento do microscópio. Muito embora o inglês Robert Hooke (1635 -1703) já houvesse observado células e estruturas reprodutivas de bolores com o auxílio de um microscópio em 1664, foi em 1674 que o holandês Antony van Leeuwenhoek (1632 - 1723) criou um aparelho composto de placas de metal e lentes onde pôde observar em gotas de água de rio pequenos objetos móveis, invisíveis a olho nu, os quais ele chamou de “animálculos”. Sua fascinação e sua curiosidade o levaram a observar com seu rudimentar microscópio esses seres encontrados em salivas, infusões de pimenta, fezes e até material removido de seus dentes.

Porém a compreensão da natureza e importância destes minúsculos organismos progrediu lentamente, somente no século 19, com a disseminação e melhoria dos microscópios e a evolução de técnicas laboratoriais é que a microbiologia ganhou o reconhecimento e fundamentou-se como ciência.

A genialidade do químico francês Louis Pasteur (1822 -1895) foi decisiva para a compreensão de processos industriais e medicinais relacionados aos microorganismos. Por volta de 1850, ele foi procurado para ajudar na solução de um problema relacionado à qualidade dos vinhos. Analisando amostras de vinhos de alta e baixa qualidade, ele observou que havia microorganismos diferentes nos lotes; Pasteur acreditava que estes eram responsáveis por essas características. Buscou, então, eliminar os microorganismos existentes no suco de uva, que seria usado para a produção do vinho, e introduzir uma amostra de vinho de boa qualidade, e conseqüentemente os microorganismos nele existentes. O processo utilizado foi o de aquecimento e imediato resfriamento do suco, conseguindo com isso a eliminação dos microorganismos preexistentes sem perder as características da bebida. Então, Pasteur inoculou o suco com o vinho de alta qualidade buscando provê-lo dos microorganismos que transformariam o açúcar em álcool, através do processo de fermentação, obtendo um vinho com a mesma qualidade, e foi o que aconteceu. Este método de aquecimento e resfriamento, a primeira etapa do processo, é chamado de pasteurização e é amplamente empregado na industria alimentícia hoje em dia.

O químico francês Louis Pasteur
Enciclopédia Delta Universal


Pasteur, na mesma época, trabalhou com uma doença que ameaçava os bichos-da-seda, e descobriu que o agente causador era um protozoário, mas, ele e seu rival, o médico alemão Robert Koch (1843 - 1910), também tentavam encontrar a causa do carbúnculo, ou antraz, doença que estava dizimando o gado na Europa. Para muitos cientistas da época era inconcebível que as doenças fossem causadas por seres invisíveis, mas alguns, incluindo Pasteur e Koch, acreditavam com convicção que muitas doenças fossem causadas por microorganismos. Koch, então, descobriu que o agente causador do carbúnculo era uma bactéria em forma de bastão.

O método utilizado por Koch foi um marco na microbiologia. Ele retirava o sangue de um animal contaminado e injetava em um rato de laboratório sadio, este apresentava também a doença e, retirando o sangue deste e inoculando em um terceiro este também adoecia, com isso ele pode provar que a bactéria presente no sangue de todos animais doentes era a causadora da doença. Porém, o maior feito foi descobrir que quando estas eram bactérias cultivadas em meios nutrientes, fora do corpo do animal, e depois novamente inoculadas em ratos sãos, estes adoeciam. Assim, pôde constatar que bactérias específicas causam doenças distintas.

Koch é também aclamado pela descoberta do microorganismo responsável pela tuberculose, doença que no século 19 era responsável por um sétimo das mortes. Utilizando-se das melhorias da microscopia e de técnicas de coloração, visto que muitos microorganismos são incolores, juntamente com suas técnicas de inoculações e cultivo em meio de cultura, Koch conseguiu isolar a bactéria causadora da doença, vindo a receber o Prêmio Nobel, em 1905, por sua descoberta.

O século 19 e o início do século seguinte foram conhecidos como a era de ouro da microbiologia. Além de Pasteur e Koch, muitos outros cientistas contribuíram para a compreensão do universo dos microorganismos e as conseqüentes aplicações na pesquisa, indústria e nos avanços na medicina. Um nome não menos importante foi o do microbiologista escocês Alexander Fleming (1881 - 1955) que pela sua quase acidental descoberta abriu novas fronteiras para a produção de drogas que combatessem os microorganismos. A contaminação por bolor em algumas placas, nas quais ele cultivava bactérias, chamou sua atenção - nelas, ao redor do fungo, as colônias de bactérias não cresciam. Este estranho fenômeno levou a descobrir que o fungo ali instalado, o Penicillium notatum, liberava uma substância que inibia o crescimento dos outros microorganismos. Surgia, então, a penicilina. Outros cientistas haviam anteriormente identificado e produzido substâncias com ação antibiótica, porém a descoberta de Fleming era um grande avanço, pois a produção da penicilina tornou-se rapidamente viável a partir de um organismo simples como um tipo de bolor. Muitas doenças de origem bacteriana puderam ser combatidas eficientemente com a nova substância.

Os avanços ocorridos nos anos posteriores, nas mais diversas áreas da ciência, encontraram nos microorganismos um grande aliado para a fabricação de medicamentos, melhoria na produção da industria alimentícia, através de técnicas utilizando transgênicos, além de fornecer importantes informações sobre o funcionamento de organismos mais complexos.