Clique e segure o gatilho para ver como uma arma com um sistema a gás dispara; essa animação não mostra os mecanismos de carregamento de cartucho, extração e ejeção. Veja "Alimentação: sistema de cinto" para saber como esses componentes funcionam.
Essa arma é basicamente igual a uma com sistema de explosão, mas a força para trás da explosão não impulsiona o ferrolho para trás. Em vez disso, a pressão do gás empurra o ferrolho. Quando o ferrolho se move para a frente para disparar um cartucho, ele trava no cano. Uma vez que a bala percorreu seu caminho pelo cano, os gases que se expandem podem sangrar para dentro do cilindro acima do cano. Essa pressão do gás empurra o pistão para trás, movendo-o junto com a parte de baixo do ferrolho. O pistão que desliza primeiro destrava o ferrolho do cano, e então o empurra de volta para que um novo cartucho possa entrar na culatra.
Os diagramas que apresentamos apenas descrevem exemplos particulares de como esses sistemas funcionam. Existem centenas de modelos de metralhadoras, cada um com seu mecanismo de disparo específico. Essas armas se diferenciam de diversas outras maneiras também. A seguir, veremos algumas diferenças fundamentais entre os vários modelos de metralhadoras.
Alimentação de munição: mola e funil
Uma das principais diferenças entre os diversos modelos de metralhadoras é o mecanismo de carregamento. Um sistema popular é o pente operado por mola. Nesse sistema, uma mola empurra os cartuchos em um pente encaixado na culatra. A principal vantagem desse mecanismo é que ele é confiável, leve e fácil de usar. A principal desvantagem é que ele só comporta uma pequena quantidade de munição.
![]() Imagem cedida pelo Departamento de Defesa Um fuzileiro americano treinando com um rifle de assalto M16A2 5.56mm. Os rifles de assalto, relativamente leves, armas automáticas com pentes, são os preferidos em muitos cenários de batalhas no solo. |
Um sistema similar é o funil de munição, como o usado na arma Gatling. Os funis são caixas de metal que se encaixam no alto do mecanismo da arma. Um por um, o cartuchos saem do funil e entram na culatra. Os funis podem comportar uma boa quantidade de munição, e são fáceis de recarregar, mas são bem desajeitados e só funcionam se a arma estiver posicionada da maneira certa.
Colocando munição: sistema de cinto
Para um grande volume de munição, o sistema de cinto geralmente é a melhor opção. Cintos de munição consistem em uma longa fila de cartuchos presos com pedaços de lona ou, na maioria das vezes, ligados por pequenos pedaços de metal. As armas que usam esse tipo de munição têm um mecanismo de alimentação controlado pelo movimento de recuo do ferrolho. Você pode ver esse tipo de mecanismo funcionar no diagrama abaixo.
Diagrama de um mecanismo de alimentação
O ferrolho (1) nessa arma tem um pequeno rolete de came (5) sobre ele. Conforme o ferrolho se move, o rolete desliza para frente e para trás em uma longa e encaixada came de alimentação (2). Quando o rolete desliza para frente, empurra o came de alimentação para a direita contra a mola de retorno (6). Quando desliza para trás, a mola empurra o came de volta para a esquerda. Conforme ela se move, o came de alimentação coloca no eixo uma alavanca de came de alimentação de um lado para o outro. A alavanca de came de alimentação é ligada a um gancho de mola carregador (8), um pegador curvo que fica em cima do cinto de munição. Conforme o came e a alavanca se movem, o gancho sai, segura um cartucho e puxa o cinto através da arma. Quando o ferrolho se move para a frente, ele empurra o próximo cartucho para a câmara. Você pode ver como isso funciona no diagrama abaixo.
Clique e segure o gatilho para ver
como os sistemas de carregamento e ejeção funcionam
O sistema de alimentação leva o cinto de munição através das guias de cartucho (2) acima da culatra. Conforme o ferrolho desliza para a frente, a parte de cima dele empurra o próximo cartucho para a linha. Isso leva o cartucho para fora do cinto, contra a rampa da câmara (3). A rampa da câmara força o cartucho para a frente do ferrolho. O ferrolho tem um pequeno extrator, que segura a base do cartucho quando ele desliza para o seu lugar. Conforme o cartucho desliza na frente do ferrolho, ele pressiona o ejetor de mola (6).
Quando o pino de percussão atinge a cápsula, impulsionando a bala pelo cano, a força explosiva leva a haste e o ferrolho para trás. O extrator puxa a cápsula vazia para fora da culatra. Conforme o ferrolho continua se movendo para trás, o ejetor de mola empurra a base da cápsula. Quando a cápsula sai da parede da câmara, o ejetor salta para a frente, fazendo com que a cápsula pule para fora da arma através da saída ejetora.
Esse sistema permite que você dispare continuamente sem recarregar. Teoricamente, você pode fazer cintos de munição de qualquer tamanho, fazendo com que eles sejam uma ótima forma de ter um suprimento constante de munição. O problema é que o cinto é bem desajeitado, e existe uma possibilidade relativamente grande do mecanismo de alimentação emperrar.
![]() A arma com cinto de munição Vickers MK1, uma das favoritas dos militares britânicos, teve um papel fundamental na Primeira e Segunda Guerra Mundial. Ela é resfriada com um revestimento especial cheio de água. Quando a água ferve, o vapor flui até uma lata coletora, onde se condensa e volta a ser usada. |
Metralhadoras montadas
As metralhadoras pesadas alimentadas com cintos, normalmente montadas num tripé ou veículo, podem precisar de mais de um operador. Tropas individuais geralmente carregam armas leves, com apoios de dois ou três pés para dar estabilidade. As armas automáticas menores, que usam pentes de balas são classificadas como rifles automáticos, rifles de assalto ou submetralhadoras. De maneira geral, o termo "metralhadora" descreve todas as armas automáticas, incluindo as armas menores, mas também é usado para descrever especialmente armas pesadas alimentadas por cintos.
![]() Imagem cedida pelo Departamento de Defesa Metralhadoras pesadas, como essa M-2 calibre 50, podem ser montadas em tanques, jipes, barcos e helicópteros |
Os fabricantes de armas estão constantemente modificando as metralhadoras, mas o mecanismo básico permaneceu o mesmo por mais de cem anos. As metralhadoras fizeram parte do dissolvimento de nações, repressões, revoluções, derrubadas de governos e fins de guerras. A metralhadora é um dos desenvolvimentos militares mais importantes da história.