Armas e sistemas

Autor: 
Tom Harris

No século 18 os fabricantes de armas desenvolveram diversos mecanismos para superar os problemas da limitada capacidade de fogo. Muitas dessas metralhadoras primitivas combinavam diversos canos e cães em uma peça só. Entre os projetos mais populares estava a metralhadora Gatling, batizada com o nome de seu inventor, Richard Jordan Gatling. O diagrama abaixo mostra como ela funciona.

Essa arma, a primeira metralhadora a obter popularidade, consiste em seis a dez canos posicionados num tambor. Cada cano tem sua própria culatra e sistema de pino de percussão. Para manipular a arma, gira-se uma manivela, que gira os canos dentro do tambor. Cada um deles passa embaixo de um funil de munição, ou pente em carrossel, conforme chega ao topo do cilindro. Um novo cartucho cai na culatra, e o cano é carregado.

Cada pino de percussão tem uma pequena câmara que segura uma fenda inclinada no corpo da arma. Conforme cada cano gira em torno do cilindro, a fenda puxa o pino para trás, empurrando-o em uma mola estreita. Assim que um novo cartucho é carregado na culatra, a câmara do pino de percussão desliza para fora da fenda, disparando a bala pelo cano. Quando cada cano gira para a parte de baixo do cilindro, as cápsulas usadas caem pela saída ejetora.


Imagem cedida pelo Departamento de Defesa
Um aviador americano dispara uma minimetralhadora GAU-17 de um UH-1 Huey durante exercícios de treinamento na Austrália. Minimetralhadoras são atualizações modernas da metralhadora Gatling, com um motor elétrico, em vez de uma manivela manual, que serve para girar os canos.

A metralhadora Gatling desempenhou papel importante em várias batalhas do século 19, mas só no começo do século 20 ela realmente encontrou seu lugar. Na próxima seção, veremos o próximo grande passo na evolução da metralhadora.

Ela é considerada uma metralhadora por disparar um grande número de balas em curto período de tempo. Mas diferentemente das metralhadora modernas, a metralhadora Gatling não é totalmente automática. A primeira metralhadora totalmente automática é creditada a um americano chamado Hiram Maxim. A arma extraordinária de Maxim podia disparar mais de 500 tiros por minuto, tendo o poder de fogo de cerca de 100 rifles.

Hiram Maxim e um de seus primeiros projetos de metralhadoras. Quando Maxim apresentou sua arma ao exército britânico em 1885, ele mudou o campo de batalha para sempre.

A idéia básica por trás da arma de Maxim, assim como as centenas de projetos de metralhadoras que vieram depois, foi o uso da energia da explosão do cartucho para recarregar e engatilhar novamente a arma após cada tiro. Existem três mecanismos básicos para aproveitar essa energia:

  • sistema de recuo
  • sistema de explosão
  • mecanismos de gás

Nas próximas seções, discutiremos cada um desses sistemas.

Sistema de recuo
As primeiras metralhadoras automáticas tinham um sistema baseado no recuo. Na natureza, cada ação corresponde a uma outra ação igual e contrária. Esse princípio é responsável pelo recuo nas armas. Quando se impulsiona uma bala pelo cano, a força feita pela bala tem uma força oposta que empurra a arma para trás.

Numa arma como um revólver, o recuo empurra a arma na direção do atirador. Mas em uma metralhadora baseada no recuo, os mecanismos móveis dentro da arma absorvem um pouco dessa força. Você pode ver como isso funciona no diagrama abaixo.

Clique e segure o gatilho para ver como uma metralhadora com ação de recuo dispara. Pelo bem da simplicidade, essa animação não mostra os mecanismos de carregamento do cartucho, extração e ejeção.

Aqui está o processo: para preparar essa arma para o disparo, você puxa o ferrolho da culatra (1) para trás, que empurra a mola de trás (2). A mola do gatilho (3) segura o ferrolho e o mantém no lugar. O sistema de alimentação faz correr um pente de munição pela arma, carregando um cartucho na culatra (mais sobre isso depois). Quando você puxa o gatilho, ele solta o ferrolho, e a mola o direciona para a frente. O ferrolho empurra o cartucho da culatra para a câmara. O impacto do pino de percussão do ferrolho sobre o cartucho acende a cápsula, que explode o propulsor, fazendo com que a bala saia pelo cano.

O cano e o pente têm um mecanismo de trava que os comprime no impacto. Nessa arma, o ferrolho e o cano podem se mover livremente. A energia da bala em movimento aplica uma energia oposta no cano, empurrando o cano e o ferrolho para trás. Enquanto o ferrolho e o cano deslizam para trás, eles passam por uma peça de metal que os destrava. Quando as peças se separam, a mola do cano (4) empurra o cano para a frente, enquanto o ferrolho continua se movendo para trás.

O ferrolho é ligado a um extrator, que remove do cano a cápsula usada. Existem muitos sistemas extratores nas armas modernas, mas a idéia básica em todos é muito simples. Em um sistema comum, o extrator tem uma pequena lingüeta que prende a estreita borda da base da cápsula. Quando o ferrolho recua, o extrator desliza com ele, puxando a cápsula vazia para trás.

Quando uma cápsula vazia é extraída, o sistema de alimentação pode carregar um novo cartucho na culatra. Se o gatilho é mantido pressionado, a mola de trás direciona o ferrolho de encontro ao novo cartucho, começando todo o ciclo de novo. Se o gatilho é liberado, ela segura o ferrolho e o impede de ir para a frente.

Sistema de explosão
Um sistema de explosão é parecido com um sistema de recuo, exceto pelo cano ser fixado ao corpo da arma, e o cano e o ferrolho não travarem juntos. Você pode ver como esse mecanismo funciona no diagrama abaixo.

Clique e segure o gatilho para ver como funciona uma arma com sistema de explosão que dispara. Pelo bem da simplicidade, essa animação não mostra os mecanismos de carregamento de cartucho, extração e ejeção. Veja "Alimentação: sistema de cinto" para descobrir como esses componentes funcionam.

Essa arma tem um ferrolho que desliza (3) preso por uma mola, um pente de balas direcionado por molas (5) e um mecanismo de gatilho (1). Quando o ferrolho é puxado para trás a trava do gatilho (2) o segura no lugar. Quando se aperta o gatilho a trava solta o ferrolho, e a mola o empurra para a frente. Depois que o ferrolho colocou o cartucho na câmara, o pino de percussão dispara a cápsula, que acende o explosivo.

O gás explosivo do cartucho direciona a bala pelo cano. Ao mesmo tempo, a pressão do gás empurra na direção oposta, forçando o ferrolho para trás. Assim como no sistema de recuo, um extrator puxa a cápsula para fora do cano, e o ejetor a força para fora da arma. Um novo cartucho é alinhado na frente do ferrolho antes que a mola o puxe para frente, começando todo o processo de novo. Isso continua durante o tempo que o gatilho for apertado e houver munição no sistema de alimentação.


Imagem cedida pela NARA
Um fuzileiro americano, lutando em Okinawa, Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, dispara uma submetralhadora Thompson de uso militar. A Thompson, conhecida vulgarmente como "mertalhadora Tommy", foi uma arma popular tanto entre soldados quanto entre gângsteres nos anos 30 e 40.

A seguir, veremos o sistema de gás, sistema de alimentação de munição e metralhadoras montadas.