A descoberta da célula foi possível devido à invenção do microscópio, por sua vez propiciada pelo avanço nas técnicas de polimento de lentes. Antoni van Leeuwenhoek (1632-1723), um artesão holandês, aprendeu a polir lentes e a montá-las em forma de microscópios simples. Seu contemporâneo Robert Hooke (1635-1703) usou um desses instrumentos para observar as células da cortiça e os esboços foram publicados por ele em "Micrographia", livro de 1665. Inspirado pelo trabalho de Hooke, Leeuwenhoek começou a realizar estudos microscópicos por conta própria. Em 1678, ele relatou à Royal Society britânica que havia descoberto "pequenos animais" - bactérias e protozoários - em diversas amostras. A sociedade pediu que Hooke confirmasse a observação de Leeuwenhoek, e ele o fez.
![]() Aaron Bell/Visuals Unlimited/Getty Images Em 1678, Antoni van Leeuwenhoek relatou que havia observado "pequenos animais" - protozoários - com um microscópio |
Isso abriu caminho para a ampla aceitação de que existia um mundo além dos limites da visão humana e encorajou muitos cientistas a adotar o microscópio em suas investigações. Um desses cientistas era o botânico alemão Matthias Jakob Schleiden (1804-1881), que estudou diversas amostras de plantas. Schleiden foi o primeiro a reconhecer que todas as plantas e as diferentes porções delas, eram compostas de células. Em um jantar com o zoólogo Theodor Schwann (1810-1882), Schleiden mencionou a idéia. Schwann, que havia chegado a conclusões semelhantes ao estudar tecidos animais, rapidamente percebeu as implicações do trabalho de ambos. Em 1839, ele publicou "Investigações Microscópicas sobre a Concordância de Estruturas e Crescimento em Plantas e Animais", que incluía a primeira exposição da teoria celular: todas as coisas vivas são compostas de células.
Em seguida, em 1858, Rudolf Virchow (1821-1902) ampliou o alcance do trabalho de Schleiden e Schwann ao propor que todas as células vivas derivavam de células pré-existentes. Tratava-se de uma idéia radical, na época porque a maioria das pessoas, incluindo os cientistas, acreditava que matéria não viva era capaz de gerar matéria viva espontaneamente. A inexplicável aparição de vermes em um pedaço de carne era muitas vezes vista como indício de sustentação ao conceito de geração espontânea. Mas um famoso cientista chamado Louis Pasteur (1822-1895) provou que geração espontânea não existia, por meio de uma experiência que se tornou clássica estabelecendo firmemente a teoria celular e solidificando os passos básicos do moderno método científico.