A tecnologia moderna permite que meteorologistas compreendam a atmosfera da Terra de forma inédita, e lhes oferece um ponto de vista excelente para observar o tempo do planeta. Mas como eles traduzem essas observações em uma previsão razoável daquilo que o tempo continuará a fazer?
![]() © istockphoto.com / Lisa F. Young Meteorologista monitora os movimentos de um furacão para tentar prever seu trajeto |
Observe qualquer previsão de tempo hora a hora: a previsão para cada hora é um passo para o futuro possível. A previsão inicial (por exemplo, a de como estará o tempo dentro de uma hora) resulta da aplicação de um modelo de computador ao tempo que temos agora. Depois, para conseguir um modelo sobre que tempo teremos em duas horas, as diversas equações são aplicadas ao primeiro modelo obtido. Assim, embora a previsão inicial se baseie em dados reais, a segunda se baseia em condições previstas, que podem ser menos que precisas. Cada previsão subseqüente eleva a possibilidade de erro. Por isso, os modelos NWP se tornam cada vez menos precisos quando avançam para o futuro.
Os meteorologistas vêm constantemente melhorando os modelos NWP, desde os anos 80. Ao alterá-los constantemente, criaram equações mais precisas e com menor margem de erro. Outra técnica, conhecida como Estatística de Produção de Modelos, melhora a previsão do tempo ao tomar o modelo NWP, baseado em condições atuais, e extrapolá-lo para comparar com as condições passadas de superfície em dada região. O método essencialmente usa leituras meteorológicas do passado para compensar alguns dos erros inerentes ao modelo NWP.
Qual é a diferença entre um meteorologista e o homem do tempo na TV? Enquanto o primeiro é um cientista diplomado em meteorologia ou ciências atmosféricas, o homem do tempo não necessariamente tem formação científica. De fato, Narciso Vernizzi e Sandra Annenberg não são meteorologistas, ainda que tenham ganhado fama apresentando previsões do tempo. |
A despeito dos avanços continuados na meteorologia, não espere previsões infalíveis em breve. Ao considerar as numerosas variáveis em um modelo NWP, é importante perceber até que ponto uma pequena discrepância pode fazer diferença. Em 1961, o meteorologista e criador da teoria do caos Edward Lorenz decidiu considerar as diferenças que um modelo poderia sofrer com uma discrepância de um único ponto decimal. Com base nesse estudo, ele cunhou o termo efeito borboleta, definido pela questão: "Quando uma borboleta bate as asas no Brasil, ela está causando um tornado no Texas?"
Mas embora a previsão do tempo esteja longe de ser infalível, a meteorologia já salvou incontáveis vidas ao permitir que cientistas prevejam onde um tempo muito severo vai surgir, e alertem as pessoas com antecedência. A previsão semanal do tempo pode não ser perfeita, mas nossa compreensão sobre o complexo conjunto de movimentos da atmosfera em que vivemos tampouco o é.
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