É possível que os elefantes nunca se esqueçam de nada?

Hector H. Munro Saki, em seu livro "Reginald on Besetting Sins", afirma que as mulheres e os elefantes nunca esquecem uma ofensa. Por enquanto, deixaremos de lado as implicações duvidosas da primeira metade dessa declaração. Mas em relação aos elefantes, o autor britânico sabia o que estava falando.

Quase um século depois da publicação do livro, observações minuciosas confirmaram que os elefantes, de fato, lembram-se de ofensas e guardam rancor de quem os ofendeu. Um estudo feito nos elefantes africanos descobriu que os animais reagem negativamente quando vêem e sentem o cheiro da roupa usada pelos membros de uma tribo Maasai próxima [fonte: BBC News]. Por que esse ressentimento? Os homens Maasai atacam os elefantes com lança como uma forma de mostrar sua masculinidade.

Memória de elefante
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As manadas de elefantes são grupos solidários com interações complexas

 

Há outras evidências que sugerem que os elefantes também se lembram dos treinadores que os maltrataram mesmo após anos de separação [fonte: National Geographic (em inglês)]. De forma semelhante, os cientistas associaram os ataques de elefantes a aldeias na Uganda (em inglês) a uma forma de distúrbio de estresse pós-traumático (em inglês) [fonte: Shaikh (em inglês)]. Os especialistas acreditam que os elefantes atacaram porque a população humana crescente estava dominando seu território, forçando a separação de alguns elefantes de suas famílias [fonte: Shaikh (em inglês)].

Os elefantes são mamíferos (em inglês) muito mais atentos do que suas populares personagens de circo mostram. Na selva, seguem estruturas familiares formalizadas com fêmeas mais velhas, ou matriarcas, no topo. As filhas sempre ficam em contato direto com suas mães, formando famílias. Os filhos deixam a família por volta dos 14 anos, ou quando atingem a maturidade sexual, quando ficam bastante agressivos e excitados, devido aos altos índices de hormônios masculinos. A partir daí, os machos se juntam a outros grupos de elefantes machos, que partem em busca de se acasalar. Duran­te as secas, várias famílias de elefantes, compostas pelas fêmeas e os filhotes, podem se reunir para formar grupos de união e compartilhar recursos.

Os elefantes também possuem muitas formas de comunicação. Um método para localizar outros elefantes é por meio dos conjuntos de sensores nervosos em suas patas chamados de corpúsculos de Pacini [fonte: Braden]. Os corpúsculos convertem as vibrações sísmicas do chão em um impulso nervoso, que envia uma mensagem ao cérebro sobre a origem e a direção das vibrações. Até as unhas possuem nervos que distinguem a origem dos sons [fonte: Friend (em inglês)].

Mas o que se passa na cabeça dos elefantes que os torna famosos por sua memória? A seguir, saberemos como funciona o cérebro do elefante.

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