![]() Mlenny / iStockphoto As massas de ar polar que atingem o Brasil se originam no continente antártico |
Os anticiclones polares se descolam desta região para a região subtropical, com ventos de sudoeste e oeste, atingem o continente sul-americano e se aproximam dos trópicos e do Brasil com ventos de sul e, às vezes, de sudeste. Normalmente, esses anticiclones possuem uma forte subsidência, com forte inversão de temperatura e com massa de ar muito seco, frio e estável. Subsidência é o movimento descendente dos ventos de uma massa de ar na atmosfera, implicando a transferência de suas características em sua trajetória para uma área mais ampla.
Por isso, as condições dos anticilones polares apresentam um predomínio de céu claro (sem nuvens) na região aonde se aproxima. Durante sua trajetória, eles ganham calor da superfície mais aquecida do mar, aumentando à medida que se desloca no sentido do equador. Nas latitudes médias, a inversão de temperatura começa a enfraquecer, e o ar polar marítimo, a se tornar instável. Por isso, quando esses anticiclones polares invadem o continente sul-americano, encontra duas altas pressões subtropicais nos oceanos Pacífico e Atlântico Sul, podendo seguir duas trajetórias diferentes: uma a oeste da Cordilheira dos Andes; e outra a leste dos Andes.
A primeira trajetória é menos frequente e ocorre durante o inverno, quando a alta pressão polar (massa de ar frio) possui maior energia. Nessa trajetória, a frente polar se estende do trópico até a região subantártica, no sentido sul/sudeste a norte/noroeste, passa os Andes, enfraquece e se dissipa quando em contato com a baixa pressão continental (do Chaco). Também nesse período, a alta pressão (anticiclone) subtropical do Oceano Atlântico Sul está deslocada do continente para o Oceano. A precipitação é fraca, porque, por ser inverno, o ar quente sobre a massa de ar polar marítima, em sua ascensão dinâmica com a rampa frontal da frente polar, apresenta pouca umidade. Quando passa os Andes e atinge o continente sul-americano, o ar anticiclone polar também perde umidade e chega seco.
A segunda trajetória é mais frequente no período de verão. Devido às altas temperaturas no continente e ao forte contraste térmico horizontal que se forma com a chegada da massa de ar polar na região subtropical na América do Sul, ela é o fenômeno meteorológico responsável pelas chuvas em abundância e intensas, pelas pancadas de chuva e pelos aguaceiros que ocorrem no Sul.