O interior

Vamos comparar o interior da Terra com o de Marte. A Terra tem um núcleo com um raio de cerca de 3,5 mil quilômetros. O núcleo é feito de ferro e tem duas partes: um núcleo interno sólido e um núcleo externo líquido. O calor é gerado pelo decaimento radioativo no núcleo e se dissipa do núcleo em direção às camadas exteriores. As correntes que conduzem calor no líquido do núcleo externo líquido junto com a rotação da Terra produzem o nosso campo magnético.

O núcleo de Marte (mostrado em vermelho abaixo) é provavelmente feito de uma mistura de ferro, enxofre e talvez oxigênio.


Foto cedida pela NASA/JPL
Diagrama que mostra o interior de Marte

O núcleo tem, provavelmente, um raio entre 1,5 e 2 mil km. A parte externa do núcleo pode ser líquida, mas isto é improvável, pois Marte tem um campo magnético fraco ( menos de 0,01% do campo magnético da Terra). Embora, atualmente Marte não tenha um forte campo magnético, pode já ter tido um há muito tempo.

Em volta do núcleo da Terra existe uma grossa camada de rocha mole, chamada manto. O que significa rocha mole? Bem, se o núcleo é líquido, então o manto é como uma pasta. Ele é menos denso do que o núcleo (por isso ele está acima do núcleo), é composto de silicatos de ferro e magnésio e tem uma espessura de cerca de 3 mil km. O manto é a fonte da lava dos vulcões. Como na Terra, o manto de Marte (mostrado em marrom na figura) é provavelmente feito de silicatos densos, mas é muito menor, com uma espessura de cerca de 1,3 a 1,8 km. Devem ter existido correntes que conduziam calor no manto em alguma época para que as elevações crustais (região Tharsis, por exemplo), os vulcões marcianos e as rupturas do Valles Marineris tenham sido formadas.

Em volta do manto estão as placas, com espessura de aproximadamente 25 a 70 quilômetros. Na Terra, a crosta é fina (10 a 100 quilômetros) e fraturada em grandes placas continentais. Estas placas flutuam sobre o manto e ficam em atrito uma com as outras (deriva continental). As áreas onde ocorrem atritos são cheias de falhas ou rachaduras. Estas áreas de contato entre as placas têm terremotos e vulcões. Em Marte, a crosta também é fina, mas não é separada por placas como a crosta terrestre. Não existe evidência de vulcões ativos ou terremotos, mas deve ter existido atividade vulcânica em alguma época, porque se pode observar o fluxo de lava (planícies do norte, por exemplo) da sonda.