Então, como é que esses profissionais sabem se as condições estão certas? Eles precisam de uma quantidade muito maior de informações do que podem obter de um termômetro comum. Os termômetros convencionais medem a temperatura de bulbo seco da atmosfera. O fator mais importante para as condições propícias à neve, porém, é a chamada temperatura de bulbo úmido.
A temperatura de bulbo úmido é uma função da temperatura de bulbo seco e da umidade relativa, que é a quantidade de vapor de água existente no ar. A água em fase líquida ou sólida se resfria através da evaporação, isto é, quando parte daquela água se transforma em vapor. Esse processo libera calor, reduzindo o nível de energia da água. Se houver muito vapor de água na atmosfera, a água ou a neve não podem evaporar tanto pois o nível de saturação de água do ar já está bem alto. Conseqüentemente, a água esfria mais devagar quando a umidade está alta e mais rapidamente quando a umidade está baixa.
![]() Foto cedida pelo Wintergreen Resort de Wintergreen, Virgínia Fazedor de neve verifica um canhão no Wintergreen Resort, Virgínia |
Por essa razão, a umidade é um fator muito importante para definir as condições propícias para a fabricação da neve. Se o nível de umidade do ar estiver suficientemente baixo, é possível obter neve até mesmo quando a temperatura de bulbo seco está a vários graus acima do ponto de congelamento. Se a umidade relativa for 100%, a temperatura de bulbo úmido e de bulbo seco serão exatamente idênticas. Porém, mesmo se ambas estiverem na temperatura de congelamento, o que pode resultar é chuva e não neve, já que a saturação do ar retardará o processo de resfriamento.
Se a temperatura estiver em torno de -1º C será preciso uma umidade relativa bem baixa (menos do que 30%) para se ter condições propícias à produção de neve. Quando a temperatura for menor que -6,7º C, é possível criar neve com razoável facilidade ainda que a umidade relativa seja 100%. Para fabricar neve, o ideal é que a temperatura esteja no intervalo entre -10 e -7º C.