Os anos 50 parecem ter sido uma época em que a CIA empregou grande quantidade de energia no aperfeiçoamento da ciência da tortura. A agência realizou experiências secretas, às vezes com americanos inocentes, usando LSD na busca de um “soro da verdade” [fonte: The New York Times]. Foram usadas correntes elétricas para causar dor [fonte: The Boston Globe]. Também foram realizadas experiências para investigar os efeitos da perversão sensorial [fonte: The Washington Post]. A CIA descobriu que os melhores métodos para extrair informações dos presos não são através da imposição da dor ou tortura, mas através de tortura psicológica.
Apesar das experiências com tortura que a CIA realizou por mais de uma década não causarem dor física, elas podem causar alguns danos reais. Historiador e especialista nos assuntos CIA e tortura, Alfred McCoy, escreve: “embora parecendo menos brutal, a tortura sem toque deixa cicatrizes psicológicas profundas. As vítimas freqüentemente precisam de tratamento para se recuperarem do trauma muito mais debilitante do que a dor física” [fonte: The Boston Globe (em inglês)].
Efetivamente existe um manual de tortura e a CIA literalmente o escreveu. Em 1963, a Agência criou o manual KUBARK Counterintelligence Interrogation. Era, como Alfred McCoy coloca, a “codificação” de tudo que a CIA aprendeu com suas experiências ao longo dos anos 50. No manual KUBARK - o nome código para a CIA na guerra do Vietnam [fonte: The Washington Post (em inglês)], os métodos para enfraquecer os presos são baseados geralmente na psicologia. Identificar a personalidade da vítima e então desnudá-la é parte da primeira etapa na direção de enfraquecê-la. Um preso introvertido ou envergonhado pode ser mantido nu e ser sexualmente humilhado, por exemplo. As roupas podem ser tiradas simplesmente para fazê-lo se sentir menos confortável.

Apesar de não mencionar diretamente o choque elétrico, o manual recomenda que os interrogadores estejam certos de que uma casa segura e com potencial para ser usada para tortura tenha acesso à eletricidade. Como uma fonte disse ao The Baltimore Sun: “No passado, a CIA reconheceu particular e informalmente que isso se referia à aplicação de choques elétricos no interrogatório de suspeitos” [fonte: The Baltimore Sun (em inglês)].
A dor física, entretanto, é considerada contraproducente pelo manual. O manual conclui que, para um preso, é muito pior temer que a dor aconteça do que realmente experimentá-la. O velho ditado de que a antecipação é pior do que a experiência parece também ter fundamento no sombrio campo da tortura.
Um livro mais recente, basicamente uma revisão do manual KUBARK, formula a mesma conclusão fundamental - o tormento psicológico é pior que o abuso físico. O Human Resource Exploitation Manual - 1983 foi publicado pela primeira vez como resultado de um relatório investigativo sobre os abusos dos direitos humanos em Honduras. Leia sobre o manual de tortura da CIA versão 2.0 na próxima página.