Introdução a Existe um manual de tortura?

Em maio de 2007, as forças armadas dos Estados Unidos invadiram uma casa fora de Bagdá. Por fora parecia uma casa normal, mas no interior havia um cenário assustador: cinco iraquianos eram mantidos na casa e torturados pela al-Qaeda. Os militares também acharam desenhos que acreditam ser parte de um manual de tortura para agentes da al-Qaeda. As imagens incluem descrições de pavorosos atos de tortura, como pressionar um ferro de passar quente contra a pele de um preso, remover os globos oculares ou colocar a cabeça de um preso em um torno [fonte: Departmento de Defesa]. As ferramentas e instrumentos necessários para praticar tais atos - como maçaricos e furadeiras - foram também encontradas na casa [fonte: Fox News (em inglês)].

 

al-Qaida torture manual illustration of man tortured with hot clothing iron.
Departamento de Defesa dos EUA
Ilustração mostrando tortura com ferro de passar quente - descoberta na casa da al-Qaeda, no Iraque, em maio de 2007
Uma pessoa pode entrar em pânico só de pensar em ser submetida a qualquer um dos métodos descritos no manual do al-Qaeda, afinal ter uma parte do corpo decepada ou ser pendurado pelos braços amarrados atrás das costas são certamente experiências horripilantes.

Somando-se aos argumentos contrários à tortura, geralmente esses métodos não são considerados úteis. É improvável que as informações colhidas de um preso no qual o interrogador está causando intensa dor física sejam precisas [fonte: The New York Times]. Em outras palavras, uma pessoa torturada poderá confessar qualquer coisa - verdadeira ou não - só para fazer com que que o torturador pare. Em 1988, um oficial da CIA testemunhou diante do comitê de inteligência do Senado: "os abusos físicos ou outros tratamentos degradantes foram rejeitados, não somente porque estão errados, mas porque está historicamente provado que são ineficazes" [fonte: The Baltimore Sun (em inglês)].

Como esse especialista do governo poderia saber? Simplesmente porque os Estados Unidos levaram décadas realizando experiências, testes de campo e pesquisa na busca de aperfeiçoar a ciência do interrogatório.

Leia sobre o manual que foi produzido como resultado dessa pesquisa na próxima página.