A vida de uma lula

Autor: 
Stephanie Watson

O funil de uma lula age como um motor a jato, transformando-a em uma poderosa nadadora. Ele puxa a água para dentro da cavidade de seu manto expandindo seus músculos. O manto estica como uma um elástico, em seguida, contrai e empurra violentamente a água para fora através do funil. A lula move-se para trás, a cauda primeiro. Ao fugir de um predador, uma lula pode se impulsionar muito depressa, chegando ao comprimento de 25 vezes seu corpo por segundo.

Com seu corpo macio, as lulas são presas vulneráveis. Elas contam com sua velocidade e agilidade, assim como com seu sistema de camuflagem como defesa. Antes de a lula fugir do predador, ela solta uma fumaça de uma substância escura chamada sépia. Isso confunde temporariamente o agressor, possibilitando que a lula escape.

Uma lula, assustada com a presença de uma Remotely Operated Platform for Ocean Science (ROPOS), que desce ao fundo do mar, reage defensivamente esguichando a tinta.
Imagem cedida por NOAA Ocean Explorer
Uma lula, assustada com a presença de uma Remotely Operated Platform for Ocean Science (ROPOS), que desce ao fundo do mar, reage defensivamente esguichando a tinta

Para se confundir com o ambiente, a lula possui milhares de células de pigmentação em seus tentáculos chamadas cromatóforos, presas aos minúsculos músculos. Os cromatóforos expandem-se ou contraem-se para mudar a cor ou o contorno da pele da lula para igualar-se ao fundo (essas mesmas células também ajudam a lula a atrair um companheiro e a comunicar-se com outra lula). A lula ainda pode mudar a textura de sua pele para imitar o ambiente levantando pequenas pontas e saliências.

As lulas são carnívoras e preferem alimentar-se de peixes pequenos, caranguejos, camarões e outras lulas. Uma lula se aproximará lentamente de sua presa, ficando longe da visão, até que o animal esteja a seu alcance, e lançará seus tentáculos para apanhar a comida. A lula, então, puxa o alimento até a boca com os tentáculos. Ela usa seu bico afiado, semelhante ao de um papagaio, para arrancar pedaços, e a rádula afiada em sua língua tritura a comida e a empurra para a garganta da lula.

Uma lula no fundo do mar, conforme visto do submarino JSL
Imagem cedida por NOAA Ocean Explorer
Uma lula no fundo do mar, conforme visto do submarino JSL

A lula reproduz-se sexualmente. Uma fêmea pode produzir milhares de ovos, que ela armazena no ovário. Na lula macho, o esperma é produzido no testículo e armazenado em um saco. Durante o acasalamento, o macho usa um tentáculo especial para transferir os pacotes de esperma para dentro da cavidade do manto da fêmea ou ao redor de sua boca, onde os ovos estão esperando. Em seguida, a fêmea expele a massa gelatinosa de ovos fertilizados de seu funil ou de sua boca e esconde-os sob pedras ou em buracos. Após quatro a oito semanas, o filhote nasce. Ao nascer, é uma versão menor de seus pais. Alimenta-se de criaturas minúsculas chamadas plâncton até chegar à vida adulta.

O tempo de vida da lula é curto - seu ciclo de vida todo é de apenas um ano. Após o acasalamento, geralmente as lulas morrem.

Uma abundância de calamari
De acordo com muitos cientistas, o aquecimento global está tendo um efeito profundo - e geralmente negativo - sobre as espécies animais. Entretanto, para a lula, o fenômeno pode realmente ser mais uma bênção do que uma desgraça. A pesquisa mostrou que os sucos digestivos da lula são mais produtivos em águas mais quentes e, como resultado, ela tende a ficar maior e mais desenvolvida conforme a temperatura da água aumenta. Como prova disso, os pescadores fora das costas da Nova Zelândia e Austrália dizem que pegaram quantidades maiores de lulas nos últimos anos. No entanto, nem todas as lulas parecem se beneficiar do aquecimento global. Os cientistas afirmam que as que vivem nos fundos mais frios podem não sobreviver em águas mais suaves.