O que há na superfície da Lua?

Autor: 
Craig Freudenrich, Ph.D.

A primeira coisa que você observará quando olhar para a superfície lunar são as áreas escuras e as claras. As áreas escuras são as áreas baixas ou planícies e são chamadas de mare ou maria. Essas áreas abrangem somente 15% da superfície lunar. A seguir você confere as mais conhecidas.

  • Mare Tranquilitatis (Mar de Tranqüilidade): onde os primeiros astronautas pousaram.
  • Mare Imbrium (Mar das Chuvas): o maior mar (1.100 quilômetros de diâmetro).
  • Mare Serenitatis (Mar de Serenidade).
  • Mare Nubium (Mar de Nuvens).
  • Mare Nectaris (Mar de Néctar).
  • Oceanus Procellarum (Oceano das Tormentas).


moon craters
Kevin Kelley/Stone/Getty Images
Crateras no lado mais distante da Lua

O restante da superfície lunar consiste nas áreas elevadas, ou terrae. As áreas elevadas são regiões rugosas, montanhosas, cheias de crateras. Os astronautas da Apollo observaram que essas áreas estão, geralmente, cerca de 4 a 5 km acima da elevação média da superfície lunar, ao passo que as áreas baixas são planícies com cerca de 2 a 3 km abaixo da elevação média. Esses resultados foram confirmados na década de 90, quando a sonda Clementine, que orbitava a Lua, mapeou extensivamente a superfície lunar.

A Lua é cheia de crateras, formadas quando os meteoros atingem sua superfície. Elas podem ter picos centrais e paredões em declives e o material do impacto (ejecta) pode ser lançado da cratera, formando raios que dela emanam. As crateras têm muitos tamanhos e as áreas elevadas têm mais crateras que áreas baixas.

Outro tipo de estrutura de impacto é a bacia com múltiplos anéis. Essas estruturas foram causadas por impactos consideráveis que enviaram ondas de choque para fora e elevaram cordilheiras. A Bacia Oriental é um exemplo de uma bacia com múltiplos anéis.

Além das crateras, os geólogos observaram a presença de vulcões em formato de cones cineríticos, canais (depressões provavelmente resultantes de lava), tubos de lava e antigos fluxos de lava, que indicam que a Lua esteve vulcanicamente ativa em um determinado momento.

A Lua não tem solo verdadeiro, devido ao fato de não haver matéria viva nela. Em vez disso, o "solo" é chamado de regolito. Os astronautas observaram que o regolito era um pó fino de fragmentos de rocha e partículas de rochas magmáticas vulcânicas entremeadas com rochas maiores.

Mediante o exame das rochas trazidas para a terra da superfície lunar, os geólogos descobriram algumas características.

  1. As maria consistem, primariamente, em basalto, uma rocha magmática derivada de lava resfriada.
  2. As regiões de áreas elevadas incluem rochas, que são, em sua maior parte, magmáticas, chamadas de anortosito e brecha - fragmentos de rocha irregulares, consolidados por um cimento natural.
  3. Se compararmos as idades relativas das rochas, as áreas elevadas (4 a 4,3 bilhões de anos) são muito mais antigas do que as áreas baixas (3,1 a 3,8 bilhões de anos).
  4. As rochas lunares têm muito pouca água e compostos voláteis (como se tivessem sido assadas) e são similares às encontradas no manto da Terra.
  5. Os isótopos de oxigênio nas rochas lunares e na Terra são similares, o que indica que a lua e a Terra se formaram a cerca da mesma distância do sol.
  6. A densidade da lua (3,3 g/cm3) é inferior à da Terra (5,5 g/cm3), o que indica que ela não tem um núcleo de ferro substancial.

Os astronautas colocaram outros conjuntos de ferramentas científicas na Lua, de modo a coletar dados.

  • Sismômetros não detectaram nenhum tremor na superfície lunar semelhante a um terremoto, nem outra indicação de atividades de placas tectônicas (movimentos na crosta lunar).
  • Magnetômetros em espaçonaves em órbita, além das sondas, não detectaram um campo magnético significativo em torno da Lua, o que indica que a Lua não tem um núcleo de ferro substancial ou de ferro derretido como a Terra tem.

Vamos dar uma olhada no que todas essas informações nos dizem a respeito da formação da Lua.
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