Mosca na parede

Considerando a quantia investida pelas forças armadas dos EUA nos projetos MAV, é provável que o primeiro uso desses insetos robóticos seja como moscas espiãs. A DARPA está prevendo uma mosca espiã que possa ser usada para missões de reconhecimento e controlada por soldados no solo. Esse pequeno veículo voador não enviaria apenas imagens do movimento das tropas: também poderia ser usado para detectar armas nucleares, químicas ou biológicas. Além disso, o inseto robô seria capaz de aterrissar sobre um veículo inimigo e colocar um rastreador eletrônico para que pudesse ser atingido mais facilmente.

Em um relatório de 1997 da DARPA que falava sobre o desenvolvimento dos MAVs, os autores escreveram que os avanços em microtecnologias incluindo os MEMS (microssistemas eletromecânicos) brevemente tornariam as moscas espiãs uma idéia possível de ser colocada em prática. Foi ressaltado que os microssistemas, como as câmeras CCD-array, minúsculos sensores de infravermelho e detectores de substância perigosas do tamanho de um chip estão sendo fabricados com tamanhos pequenos o bastante para fazer parte da arquitetura de uma mosca espiã.

As Forças Armadas queriam um MAV que tivesse uma autonomia de 10 km, voasse de dia e de noite e pudesse permanecer em vôo durante aproximadamente uma hora. Os representantes da DARPA dizem que a velocidade ideal para um MAV vai de 35,4 a 72,4 km/h. Ele seria controlado de uma estação no solo, que usaria antenas direcionais e manteria contato contínuo com o MAV.

As moscas robôs também poderiam funcionar como uma nova geração de exploradoras interplanetárias. O Instituto de Pesquisas da Georgia Tech - GTRI (site em inglês) recebeu financiamento do Instituto da NASA para Conceitos Avançados - NIAC (site em inglês) para investigar a idéia de utilizar o Entomopter como um veículo voador para pesquisas em Marte. Em março de 2001, a NASA financiou a segunda fase do estudo, que pode ser o futuro das micromissões em Marte.


Foto cedida por Robert Michelson
Conceito artístico de uma equipe de Entomopters explorando Marte

Os Entomopters oferecem várias vantagens em relação aos instrumentos maiores de pesquisa. Eles poderiam aterrissar, decolar, pairar e realizar manobras mais difíceis durante o vôo. Além disso, sua habilidade de rastejar e voar também lhes dá uma vantagem ao explorar outros planetas. Muito provavelmente, a NASA enviaria vários desses veículos de pesquisa para explorar outros planetas. O desenvolvedor do Entomopter, Rob Michelson, disse que a versão que seria enviada a Marte teria de ser aumentada para ter uma envergadura de 1 metro nas asas, podendo, assim, voar na atmosfera mais rarefeita do planeta.

Pesquisadores dizem que esses pequenos robôs voadores também seriam valiosos após a ocorrência de desastres naturais, como terremotos, tornados ou desmoronamentos. Seu tamanho reduzido e a habilidade de voar e pairar os tornam úteis para procurar pessoas soterradas pelos escombros. Eles poderiam voar entre as fendas pequenas demais para os humanos e máquinas maiores. Outras utilizações desses robôs também incluem monitoramento do tráfego, vigilância nas fronteiras, inspeção de linhas de força e fotografias aéreas de imóveis.

Essas novas máquinas são mais um exemplo de como a tecnologia auxilia as pessoas a realizar tarefas perigosas, permitindo que elas não corram perigos desnecessários. Reconhecimento militar, busca de vítimas de terremotos e viagens a outros mundos são atividades muito perigosas, e os microrobôs voadores permitiriam que realizássemos essas tarefas sem nem sequer estarmos lá.