![]() Foto cedida por ImplosionWorld.com O Edifício Frank Leux, em Birmingham, foi demolido pela Engineered Demolition, Inc. na primavera de 1997 |
Em seguida, os engenheiros de demolição podem começar a carregar os pilares com explosivos. Os engenheiros usam explosivos diferentes para materiais diferentes, e determinam sua quantidade com base na espessura do material. Para pilares de concreto, os engenheiros de demolição usam dinamite tradicional ou um material explosivo similar. Dinamite nada mais é do que uma substância absorvente embebida de um produto químico ou mistura de produtos químicos altamente combustíveis. Quando ocorre a ignição do produto químico, ele queima rapidamente, produzindo uma grande quantidade de gás quente em muito pouco tempo. Esse gás se expande rapidamente, aplicando uma imensa pressão expansiva (de até 95 toneladas por centímetro quadrado) no que estiver ao seu redor. Os engenheiros introduzem esse material explosivo em cavidades estreitas perfuradas nos pilares de concreto. Quando ocorre a ignição dos explosivos, a súbita pressão expansiva envia uma poderosa onda de choque, irrompendo através do pilar em velocidade supersônica e esmigalhando o concreto.
Demolir colunas de aço é um pouco mais difícil, porque o material denso é muito mais resistente. Em edifícios com estrutura de sustentação de aço, os engenheiros de demolição usam tipicamente o material explosivo especializado ciclotrimetilenetrinitramina, chamado de RDX. Os compostos explosivos baseados em RDX se expandem a uma alta taxa de velocidade de até 8 km/s). Ao invés de desintegrar toda a coluna, a pressão concentrada em alta velocidade consegue fatiar o aço, cortando-o pela metade. Adicionalmente, os engenheiros podem acender dinamite de um lado da coluna para empurrá-la em uma direção particular.
![]() Foto cedida por ImplosionWorld.com Pilares de concreto (à esquerda) são explodidos com dinamite convencional ou um tipo de explosivo similar. Colunas de aço (à direita) são fatiadas pela metade usando um explosivo de alta velocidade chamado RDX. |
Para a ignição tanto de RDX como de dinamite, você precisa aplicar um impacto muito forte. Na demolição de um prédio, os engenheiros obtêm isso com um estopim, uma pequena quantidade de material explosivo (chamado de carga primária) conectado a algum tipo de deflagrador. O projeto de deflagrador tradicional é um longo cordel com material explosivo em seu interior. Quando você acende a ponta do cordel acendedor, o material explosivo em seu interior queima em um ritmo constante e a chama se desloca até chegar ao detonador na outra extremidade. Quando ele atinge essa ponta, ele detona a carga primária.
![]() Foto cedida or ImplosionWorld.com Estopins são usados como um catalisador para detonar os explosivos colocados nos pilares de sustentação |
Os engenheiros usam freqüentemente um detonador elétrico em vez de um deflagrador tradicional. Um deflagrador de detonador elétrico, chamado de linha-guia, é apenas uma longa extensão de fio elétrico. Na extremidade do detonador, o fio é circundado por uma camada de material explosivo. O detonador é fixado diretamente à carga de primer presa aos explosivos principais. Quando você envia corrente elétrica através do fio (ao conectá-lo a uma bateria, por exemplo), a resistência elétrica causa o aquecimento do fio. Isso levará à ignição da substância inflamável na extremidade do detonador, o que explode a carga primária, disparando os explosivos principais.
![]() Foto cedida por ImplosionWorld.com Os pilares são totalmente carregados com explosivos e conectados a estopins e detonadores |
Para controlar a seqüência de explosões, os engenheiros de demolição configuram os estopins com mecanismos simples de retardo, seções de material de queima lenta posicionados entre o detonador e a carga de primer. Ao usar um comprimento maior ou menor de material de retardo, os engenheiros podem ajustar o tempo que cada explosivo levará para atuar. O comprimento do detonador também é um fator, já que levará muito mais tempo para a carga se mover se o detonador for mais longo. Usando esses dispositivos de temporização, os engenheiros de demolição regulam a ordem das explosões.
Eles determinam quanto material explosivo usar com base principalmente em sua experiência e nas informações fornecidas pelos arquitetos e engenheiros civis que construíram o prédio. Mas, na maior parte das vezes, não confiarão nesses dados apenas. Para assegurar que não aplicarão uma carga excessiva ou insuficiente à estrutura de sustentação, os engenheiros de demolição fazem uma explosão de teste em alguns poucos pilares que eles envolvem em uma blindagem para segurança. Eles experimentam graus variados de material explosivo e, com base na eficácia de cada explosão, determinam a carga mínima necessária para demolir os pilares. Usando somente a quantidade necessária de material explosivo, os engenheiros minimizam os detritos voadores, reduzindo a probabilidade de danos às estruturas vizinhas.
![]() Foto cedida por ImplosionWorld.com Uma explosão de teste é feita em um pilar de concreto no Complexo RCA Victor em Camden, NJ, no verão de 1997 |
Para reduzir ainda mais os detritos voadores, os engenheiros podem envolver cada pilar com tela de alambrado e tecido geotêxtil. O alambrado impede que os grandes pedaços de concreto saiam voando e o tecido segura a maior parte dos pedaços menores. Os engenheiros também podem envolver com tecido o exterior de cada andar equipado com explosivos. Isso atua como uma rede extra para conter qualquer concreto que, explodindo, rompa o material ao redor de cada pilar individual. As estruturas que circundam o prédio também podem ser cobertas para protegê-las de detritos voadores e da pressão das explosões.
Quando tudo está preparado, é hora de apresentar o espetáculo. Na próxima seção, vamos descobrir as etapas finais que os engenheiros de demolição devem preparar para a implosão e dar uma olhada na própria implosão. Também vamos descobrir o que pode dar errado em uma demolição com explosivos e ver como os engenheiros avaliam o resultado assim que a fumaça se dissipa.
Brent Blanchard, um perito em implosões da Protec Documentation Services (em inglês), diz que incontáveis entusiastas de implosões lhe perguntam a mesma coisa: "Como eu posso me tornar um engenheiro ou perito em demolição?". "Não existe uma 'escola de demolição' ou programa organizado de ensino de demolição", diz Blanchard. "A única maneira de se tornar um perito em demolição é aprender em serviço. Os engenheiros de demolição irão trabalhar em uma companhia de demolição estabelecida até que eles conheçam todas as particularidades da área. Então, poderão permanecer com seus patrões ou se aventurar por conta própria e competir com os engenheiros de demolição que os treinaram." Os clientes são compreensivelmente cautelosos quanto à implosão de um edifício, e tendem a contratar uma companhia de demolição com base nos trabalhos que realizaram anteriormente. "Por esse motivo", diz Blanchard, "é muito difícil uma jovem empresa de demolição conseguir grandes trabalhos de implosão. Quase todas as implosões de prédios no mundo são efetuadas por cerca de vinte empresas bem estabelecidas". Em muitas dessas companhias, a técnica de explodir coisas é passada de geração a geração. Pais ensinam a técnica a seus filhos e as crianças então crescem como pequenos "engenheiros de demolição". |