Os músculos e as mentes por trás da missão

A espaçonave Deep Impact consistia em duas partes - a espaçonave-sonda e o impactador - e tinha o tamanho aproximado de um veículo utilitário. A sonda transportava um instrumento de alta resolução (HRI) e um instrumento de média resolução (MRI) para imagens, espectroscopia infravermelha e navegação óptica. Ela usava um conjunto de painéis solares e uma bateria de NiH2 para gerar energia. O impactador ficou preso à sonda até 24 horas antes da colisão com o Tempel 1.

Assim que foi liberado, o impactador se orientou para a trajetória do cometa usando um rastreador de estrelas de alta precisão (que navega observando as estrelas), o sensor de alvo do impactador (ITS) e algoritmos de navegação automática especialmente desenvolvidos para esta missão. O impactador também possuía um pequeno sistema de propulsão alimentado com hidrazina para um controle mais preciso da trajetória e da altitude. O HRI, MRI e o ITS trabalharam em conjunto para orientar a espaçonave-sonda até o cometa e registraram dados científicos antes, durante e depois do impacto.


Foto cedida pela NASA
Espaçonave-sonda (à esquerda) e impactador (direita)


Foto cedida pela NASA
Deep Impact na plataforma de lançamento
O sistema completo de vôo foi lançado como carga útil em um foguete Delta II da Boeing (veja Como funcionam os motores de foguetes) em janeiro de 2005. Ele se encontrou com o Tempel 1 no começo de julho de 2005. Vinte e quatro horas antes do impacto, o impactador se desligou da espaçonave-sonda. Nesse ponto, a sonda reduziu sua velocidade e se posicionou para observar o impacto enquanto passava pelo cometa.

Assim que o impactador deixou a espaçonave-sonda, ele se posicionou para a colisão com o cometa no lado iluminado pelo Sol, para permitir imagens de melhor qualidade. 19 giga-joules de energia cinética (equivalente a 4,8 toneladas de TNT) na superfície do cometa, criando uma grande cratera. Eles sabiam que a energia viria de uma combinação da massa do impactador (370 kg) e de velocidade no momento do impacto (10,2 km por segundo). Teoricamente, a cratera teria pelo menos 100 m de diâmetro e cerca de 25 m de profundidade [ref - em inglês]. Essas dimensões dependem totalmente da natureza e tipo do material que compõe o Tempel 1. Previa-se que o impactador seria destruído quando colidisse com o cometa.

O equipamento de imagens da espaçonave-sonda observou o núcleo por mais de 10 minutos após o impacto, filmando o impacto, o desenvolvimento da cratera e o seu interior. A espaçonave-sonda também realizou espectrometria do núcleo e do local da cratera. Ela enviou todas as imagens e medições espectrométricas de volta para a rede Deep Space (em inglês) no solo.