Mitos sobre os ímãs

Sempre que você utiliza um computador, está usando ímãs. Um disco rígido se baseia em ímãs para armazenar dados e alguns monitores usam ímãs para criar imagens na tela. Se sua casa tiver uma campainha, provavelmente ela utilizará um eletromagneto para acionar um emissor de som. Os ímãs também são componentes fundamentais em televisões CRT, alto-falantes, microfones, geradores, transformadores, motores elétricos, alarmes antifurto, fitas cassete, bússolas e velocímetros de automóveis.

Além de suas utilizações práticas, os ímãs têm uma série de propriedades incríveis. Eles podem gerar corrente na fiação e fornecer torque aos motores elétricos. Um campo magnético forte o suficiente pode erguer objetos mínimos ou até pequenos animais. Os trens eletromagnéticos (Maglev) usam a propulsão magnética para viajar em altas velocidades e os fluidos magnéticos ajudam a abastecer os motores de foguetes com combustível. O campo magnético da Terra, chamado de magnetosfera, a protege do vento solar. Segundo a revista Wired, algumas pessoas chegam a implantar ímãs de neodímio minúsculos nos dedos, possibilitando a detecção de campos eletromagnéticos [Fonte: Wired (site em inglês)].

Trem eletromagnético (Maglev)
Imagem usada sob Licença GNU de Documentação Livre
Um trem Transrapid em Emsland, fábrica de teste na Alemanha

Os aparelhos de Tomografia por Ressonância Magnética (MRI) usam campos magnéticos para permitir que os médicos examinem os órgãos internos dos pacientes. Os médicos também utilizam campos eletromagnéticos impulsionados para tratar ossos quebrados (em inglês) que não foram tratados de forma correta. Esse método, aprovado pelo departamento United States Food and Drug Administration (Controle de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos) nos anos 1970, pode unir ossos que não responderam a outro procedimento. Pulsos de energia eletromagnética semelhantes podem ajudar a evitar perda óssea e muscular nos astronautas expostos a ambientes de gravidade zero por períodos prolongados.

Os ímãs também podem proteger a saúde dos animais. As vacas são suscetíveis a uma desordem chamada reticulopericardite traumática ou doença da ferragem, que surge com a ingestão de objetos de metal. Os objetos ingeridos podem perfurar o estômago da vaca e ferir seu diafragma ou coração. Os ímãs são instrumentos que evitam essa desordem. Uma das práticas envolve passar um ímã no alimento do gado para remover objetos de metal. Outra prática é alimentar o gado com ímãs. Ímãs de alnico compridos e estreitos, chamados de ímãs para gado, podem atrair pedaços de metal e ajudar a impedir que eles machuquem o estômago da vaca. Os ímãs ingeridos ajudam a proteger as vacas, mas ainda assim é recomendável remover os detritos de metal das áreas de alimentação. Por outro lado, as pessoas nunca devem ingerir ímãs, já que eles podem se prender às paredes do intestino, bloqueando o fluxo de sangue e matando o tecido. Nos humanos, os ímãs ingeridos em geral exigem a realização de uma cirurgia para removê-los.

Ímãs para gado
Foto cedida Amazon
Ímãs para gado

Algumas pessoas defendem o uso da terapia magnética para tratar uma ampla gama de doenças e desordens. Segundo os médicos, palmilhas, pulseiras, colares, colchões e travesseiros com ímã podem curar ou aliviar tudo, de artrite a câncer. Alguns defensores também sugerem que o consumo de água potável magnetizada pode tratar ou prevenir diversas enfermidades. Os norte-americanos gastam aproximadamente US$ 500 milhões por ano com tratamentos magnéticos e, no mundo todo, as pessoas desembolsam cerca de US$ 5 bilhões com o mesmo fim. [Fonte: Winemiller por meio da NCCAM (site em inglês)].

Os proponentes fornecem várias explicações sobre como isso funciona. Uma delas é que o ímã atrai o ferro encontrado na hemoglobina no sangue, melhorando a circulação de uma área específica. Outra explicação é que, de alguma forma, o campo magnético muda a estrutura das células ao redor. Estudos científicos, entretanto, não confirmaram se o uso de ímãs estáticos tem algum efeito sobre a dor ou uma doença. Testes clínicos sugerem que as vantagens atribuídas aos ímãs podem, na verdade, vir do passar do tempo, de um amortecimento extra nas palmilhas magnéticas ou do efeito placebo. Além disso, normalmente a água potável não contém elementos que possam ser magnetizados, fazendo que a idéia da água potável magnetizada seja questionável.

Alguns proponentes também sugerem o uso de ímãs para reduzir a água dura nas casas. Segundo os fabricantes do produto, ímãs grandes podem diminuir o nível da escalada de água dura ao eliminar minerais de água dura ferromagnéticos. Os minerais que normalmente produzem água dura não são, contudo, ferromagnéticos. Um estudo de Relatórios de Consumo de dois anos indica que tratar a água coletada com ímãs não altera a quantidade do acúmulo em um aquecedor de água doméstico.

Embora não seja provável que os ímãs acabem com dores crônicas ou combatam o câncer, ainda assim são fascinantes objetos de estudo. Para aprender mais sobre eles, confira os links da próxima página.