O perigo dos icebergs

Não existe um iceberg tão famoso como o que atingiu o casco do RMS Titanic em sua viagem inaugural, em abril de 1912. Construído para que fosse "impossível afundá-lo", o navio não atingiu o iceberg de frente, um desastre a que poderia ter sobrevivido, mas raspou lateralmente contra ele em uma porção abaixo de sua linha de água, o que causou um rombo que permitiu que diversos compartimentos da embarcação fossem tomados pela água.

À medida que a água lentamente se espalhava pelo navio, os passageiros tentavam fugir utilizando os botes salva-vidas (que não estavam disponíveis em número suficiente) e o ritmo estranho e lento do desastre fez com que diversos botes deixassem o navio apenas parcialmente ocupados, porque os passageiros não acreditavam que a situação fosse séria [fonte: Eaton]. Como resultado, mil e quinhentas pessoas perderam a vida nas águas gélidas do Atlântico Norte, algumas centenas de quilômetros a sudeste de St. John's, na Terra Nova (os diversos relatos divergem quanto ao número de vítimas).

Titanic sinking
Hulton Archive/Getty Images
Desenho do Illustrated London News, 1912: sobreviventes observam dos botes salva-vidas enquanto o Titanic mergulha nas profundezas do oceano

A perda do Titanic teria efeitos duradouros. A área conhecida como Iceberg Alley, ao largo da costa da Terra Nova, localiza-se exatamente na região em que o Titanic afundou. Entre 1882 e 1890, 14 navios de passageiros afundaram ali [fonte: Bryant]. Depois do acidente com o Titanic, um acordo internacional levou à formação da Patrulha Internacional do Gelo.

Administrada pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, a Patrulha do Gelo observa a Iceberg Alley de perto e alerta os navios que viajam por ali a se manterem afastados do "limite conhecido do gelo", a área na qual a patrulha acredita que os icebergs possam representar sério risco. Nenhuma vida ou embarcação se perdeu fora da área de ameaça em todos os anos de atividade da patrulha [fonte: International Ice Patrol].

A Patrulha Internacional do Gelo utiliza vôos de aviões C-130 Hercules para localizar icebergs. Também recolhe informações sobre formações de gelo obtidas pelos navios que viajam na região. Todas as informações são registradas em um computador que emprega modelos de rastreamento e informações sobre correntes oceânicas para estimar em que direção os icebergs conhecidos flutuarão, e quando chegarão lá. A informação acumulada é fornecida via Internet e rádio para todos os navios que estejam na área. Além disso, sistemas avançados de radar em cada navio são capazes de localizar os icebergs de maior porte a quilômetros de distância, mesmo em condições de neblina ou tempestade. Embora os problemas causados por icebergs tenham sido reduzidos desde o começo do século 20, o risco jamais desaparecerá de todo.

A Guarda Costeira dos EUA tentou outros métodos de rastrear icebergs, entre os quais pintá-los de cores brilhantes ou instalar neles transmissores de rádio. A organização também testou diferentes métodos de destruir icebergs, como jogar bombas contra eles [fonte: International Ice Patrol].

Outros naufrágios causados por icebergs

Em 1977, uma balsa de transporte de automóveis chamada William Carson colidiu com um iceberg e afundou ao largo de Labrador. Havia 109 pessoas a bordo e todas foram resgatadas com vida [fonte: Charleston Daily Mail].

O Lady of the Lake afundou no Grand Banks com 70 pessoas a bordo a caminho de Quebec em 1833 [fonte: Titanic-Titanic.com].

O S.S. Hanshedtoft colidiu com um iceberg e afundou ao largo do cabo Farewell, Groenlândia, em 1959. Era a viagem inaugural do navio e não houve sobreviventes: 95 pessoas morreram [fonte: National Geographic News (em inglês), International Ice Patrol (em inglês)].

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