Sua aparência inicial sugere que os icebergs são blocos estéreis de gelo flutuando em águas frígidas e sem vida. Mas, na verdade, eles geram ecossistemas próprios.
Mesmo no mais frio dos mares, os icebergs sempre se derretem ao menos um pouco. Esse derretimento tem grande impacto sobre o oceano em torno do iceberg. A água fresca do iceberg cria uma espécie de lago de água que pode se estender por cerca de dois quilômetros em torno do iceberg [fonte: Stone]. Essa água é mais fria do que a água do mar que a cerca, então a variação de temperatura cria correntes térmicas na vizinhança do iceberg.
A vida prospera no iceberg e em torno dele. Peixes jovens e de pequeno porte se escondem nas fendas do gelo para escapar de predadores, enquanto animais invertebrados, como as águas vivas e sifonóforos, congregam-se na área. Muitos consomem os crustáceos do tipo krill. Aves polares fazem ninhos nos icebergs e se alimentam da vida marinha que o cerca.

Os icebergs podem ter também um impacto negativo sobre a vida animal e oceânica. Quando os icebergs imensos da Antártida encalham em certas áreas, eles bloqueiam os percursos de migração dos pingüins imperadores.Os pingüins precisam chegar ao oceano para se alimentar e, caso haja muitos icebergs pelo caminho, eles têm de caminhar muito mais [fonte: Space.com]. Em áreas às quais as correntes oceânicas levam muitos icebergs, o pico do oceano é, em muitos casos, completamente despovoado. Os grandes blocos de gelo se estendem muito sob a água e se arrastam pelo piso oceânico, arrancando-o. No curso de muitos anos, esse tipo de impacto torna o pico do oceano quase desabitado.
Os icebergs poderiam ser excelentes fontes de água fresca. A água contida no iceberg B-15 poderia ter abastecido os Estados Unidos inteiros por cinco anos [fonte: Stone]. Em um dia quente de verão, a idéia de um copo de água de iceberg geladinha parece muito atraente. A idéia já mereceu consideração séria - a RAND Corporation, que conduz pesquisas para as forças armadas norte-americanas, produziu um relatório de viabilidade sobre o assunto. A conclusão foi a de que um sistema de transporte que permitisse extrair rendimento de 10% (da água contida no iceberg) poderia prover água para 500 milhões de pessoas, a um custo de US$ 8 por mil metros cúbicos [fonte: RAND (em inglês)]. Os icebergs poderiam provavelmente ser rebocados para perto do ponto de consumo de água, com o uso de grandes camadas de material isolante para reduzir o derretimento. O gelo então seria "colhido" para propiciar água potável. |