Mas as dimensões reais dos maiores icebergs podem ser espantosas. Um iceberg conhecido como Iceberg B-15, formado na Ross Ice Shelf, na Antártida, em março de 2000, tinha espessura de quase 800 metros e área de cerca de 1.5 mil km2 - quase do tamanho do Estado norte-americano de Connecticut. Trata-se do maior iceberg já localizado pelo Centro Nacional do Gelo dos EUA desde que ele começou a acompanhar a formação de icebergs, 25 anos atrás [fonte: Stone]. Considerando que esse período é bastante curto, podemos presumir que icebergs de proporções ainda maioresn já devem ter existido. Icebergs desse tamanho são ocasionalmente designados como ilhas de gelo. Os icebergs árticos são geralmente menores que os antárticos, porque o Ártico não oferece uma vasta área oceânica desimpedida, como acontece na Antártida. É a dimensão dos mares locais que permite a formação de imensos lençóis de gelo.

Ainda que sejam formados nos mares mais meridionais ou setentrionais, os icebergs podem flutuar por milhares de quilômetros. Um iceberg formado no Ártico flutuou rumo sul até Bermuda [fonte: Bryant]. O alcance típico dos icebergs é bem menor. Os icebergs da Antártida costumam ficar aprisionados na corrente que circunda o Pólo, o que jamais lhes oferece oportunidade de flutuar rumo ao norte. Mas sabe-se que eles já interromperam rotas de navegação entre a Austrália, América do Sul e África do Sul [fonte: Bryant].
Embora qualquer geleira seja capaz de formar icebergs, a vasta maioria dos icebergs setentrionais se forma de cerca de 20 geleiras localizadas na Groenlândia, ou perto dela, geralmente do lado oeste [fonte: International Ice Patrol]. A corrente de Labrador transporta alguns desses icebergs ao Atlântico Norte, onde podem atrapalhar a navegação. As geleiras árticas formam cerca de 15 mil icebergs ao ano, ainda que apenas 500, em média, flutuem para o sul do paralelo 48 [fonte: International Ice Patrol]. O número pode variar muito, já que a formação de icebergs é influenciada pelos padrões do clima distante, pelas condições climáticas e pelos "ciclos de calving" de prazo mais longo, que ainda não compreendemos perfeitamente [fonte: Bryant].
As correntes oceânicas carregam os icebergs porque a maior parte de sua massa se localiza sob a água. Os icebergs muitas vezes flutuam em direção oposta à do vento dominante, quando a corrente se encaminha nessa direção.
Mesmo depois que o maior iceberg já localizado, o B-15, dividiu-se em porções menores, essas mesmas porções eram maiores que a maioria dos demais icebergs. O volume de gelo do B-15 era quase o dobro do volume de gelo total dos icebergs que se formam na Antártida [fonte: Bryant]. Os cientistas instalaram um equipamento sismográfico no B-15 para detectar vibrações. Quando o B-15 se rompeu, em 2005, registraram movimentação sísmica significativa. A causa? Uma imensa tempestade de inverno no Alasca, seis dias antes.O movimento oceânico causado por essa tempestade se expandiu até a Antártida, pressionando o iceberg e o arremessando contra a terra. Isso ofereceu importantes provas sobre o movimento oceânico de longa distância que pode gerar a dissolução de icebergs, mas também causar calving na plataforma de gelo antártica [fonte: PhysOrg.com]. |