Introdução

Durante anos, cientistas e filósofos de poltrona refletiram sobre uma das maiores questões evolutivas da humanidade: por que os humanos andam sobre duas pernas? Temos quatro membros e nossos amigos macacos (em inglês) parecem se virar bem usando os quatro (fazendo o que é chamado de andar de quatro). Então, o que faz com que andar sobre duas pernas seja melhor? Ou, se não é melhor, por que fazemos isso afinal?

Humans began walking on two legs to be more energy efficient.
Fotógrafo: Norma Cornes | Agência: Dreamstime.com
Um estudo que examinou chimpanzés que foram ensinados a andar
sobre duas pernas indica que os humanos começaram a andar dessa maneira para serem mais eficientes em termos de energia

Os cientistas sabem que o bipedalismo foi uma das primeiras características que se desenvolveram nos antigos hominídeos - antigos ancestrais dos humanos que já eram diferentes dos macacos. E uma variedade de teorias tenta explicar o porquê, ainda que algumas delas pareçam contradizer umas às outras. Um estudo publicado na edição de julho de 2007 do jornal Proceedings of the National Academy of Sciences tenta oferecer uma resposta definitiva. Ele afirma que o bipedalismo humano se reduz a uma coisa: energia.

O estudo, realizado por três pesquisadores da Universidade de Arizona, Universidade da Califórnia, Davis, e Universidade de Washington, em St. Louis, examinou diferenças na locomoção em posição vertical entre quatro humanos adultos e cinco chimpanzés adultos. Os chimpanzés foram usados porque são os parentes atuais mais próximos dos humanos. De quatro a sete milhões de anos atrás, humanos e chimpanzés evoluíram de um ancestral em comum. Depois, eles se desenvolveram de maneira independente.

Os pesquisadores ensinaram os cinco chimpanzés adultos a andar em esteiras. Eles andavam em posição vertical sobre suas pernas traseiras e de quatro. Os chimpanzés usavam máscaras que controlavam a quantidade de oxigênio (em inglês) que usavam. Os pesquisadores também mediram a quantidade de pressão exercida na esteira. Isso revelava que músculos os animais estavam usando. As mesmas medições foram feitas com os quatro humanos adultos.

Os testes de locomoção mostraram que os chimpanzés, como um grupo, tiveram em média o mesmo gasto de energia andando de quatro e sobre duas pernas. Como um grupo, os humanos usaram 75% menos energia andando na posição vertical do que os chimpanzés usaram para andar de quatro. Basicamente, andar na posição vertical pareceu ser benéfico porque economizava energia.

O que pareceu ainda mais interessante, porém, foi que a quantidade de energia gasta pelos chimpanzés variou entre eles. Um chimpanzé usou menos energia sobre duas pernas do que andando de quatro. Outro usou a mesma quantidade nas duas posições, e os outros três usaram mais energia ao andarem sobre duas pernas. As variações foram atribuídas à maneira como os chimpanzés andavam e às diferenças na estrutura corporal. Um dos cientistas ficou animado com essa variação, dizendo que ela reflete uma parte essencial da evolução [fonte: Discovery News (em inglês)].

Análises de fitas de vídeo dos chimpanzés andando mostraram que eles geralmente usam os grandes músculos do quadril e dão passos curtos quando estão andando na posição vertical. Os humanos tendem a usar músculos menores, como os da parte baixa das pernas, e a dar passos mais largos. Isso resulta em mais eficiência energética. Não foi por coincidência que os chimpanzés que davam passos mais largos do que seus companheiros ao andarem na posição vertical consumiram menos energia.

Os resultados do experimento demonstram como o gasto de energia contribuiu para a evolução humana. Os antigos humanos que se adaptaram a gastar menos energia andando em posição vertical estão representados no registro fóssil. Os fósseis mostram que alguns humanos antigos desenvolveram pernas mais longas, estruturas de quadril diferentes ou ossos da perna mais grossos, que estão de acordo com os dos humanos atuais. Essas adaptações facilitaram a locomoção em posição vertical e diminuíram a quantidade de energia exigida para andar dessa maneira.

Na próxima seção, vamos dar uma olhada em outras teorias sobre a razão para os humanos andarem sobre duas pernas e ver mais ligações entre os humanos e os primatas.