Mesmo não sendo mais utilizado, o agente laranja permanece um símbolo poderoso. Embora os Estados Unidos e o Vietnã tenham normalizado suas relações, o herbicida e sua descontaminação ainda são questões controversas. A dioxina desapareceu em muitas áreas, mas as concentrações do veneno ainda são elevadas em certas regiões, particularmente onde os soldados sul-vietnamitas e norte-americanos armazenavam o agente laranja.
Boa parte do campo vietnamita cresceu novamente, em parte, devido aos esforços de reflorestamento de grupos locais e internacionais. Como a descontaminação da dioxina é muito cara, um ativista tentou implementar soluções mais baratas e de baixa tecnologia em regiões altamente contaminadas plantando "cercas" de árvores. Essas cercas improvisadas fazem mais do que simplesmente proteger as aldeias contra a dioxina. Elas também são uma excelente fonte de renda dos produtos derivados das árvores.
![]() © istockphoto.com / Stefan Klein Soldados americanos precisavam usar máscaras de gás para se protegerem do herbicida |
As áreas onde foi despejado o agente laranja mostram uma incidência muito mais elevada dos sérios problemas de saúde discutidos anteriormente. Por exemplo, a cidade de Ben Tre possui 140 mil habitantes; a Cruz Vermelha estima que 58 mil tenham sofrido os efeitos colaterais do agente laranja [fonte: Hitchens]. No total, calcula-se que 1 milhão entre 84 milhões de vietnamitas tenham sido envenenados pelo agente laranja, e as crianças continuam nascendo com defeitos de nascença provavelmente causados pelo herbicida [fonte: Hitchens]. Não existe um consenso quanto ao tempo que a dioxina permanecerá no solo no Vietnã; porém, sem uma descontaminação em grande escala, a próxima geração de crianças vietnamitas provavelmente estará sujeita aos mesmos problemas de saúde que seus pais e avós sofreram.
Muitos veteranos norte-americanos da Guerra do Vietnã continuam sofrendo de problemas de saúde, e alguns já passaram para seus filhos. Talvez nenhuma história sobre o agente laranja esteja completa se não citarmos Elmo R. Zumwalt Jr., um almirante da marinha que comandou as forças navais no Vietnã e ajudou a colocar um fim na discriminação entre raça e sexo na marinha [fonte: Goldstein].
Durante a Guerra do Vietnã, Zumwalt estava preocupado com os atiradores no delta do Mekong. Ele ordenou que o agente laranja fosse despejado para impedir que os atiradores se escondessem. Coincidentemente, o filho do almirante Zumwalt, o tenente Elmo Zumwalt III, comandava um barco que operava no delta do Mekong. Aos 42 anos, o tenente morreu de câncer, provavelmente causado pela exposição à dioxina. Seu filho, Elmo IV, apresentava séria incapacidade de aprendizagem.
Quando ainda eram vivos, os Zumwalts II e III escreveram um livro juntos, em que reconheceram a provável ligação entre a exposição ao agente laranja e os problemas de saúde na família. O almirante Zumwalt disse que não se arrependia de ter ordenado o uso do agente laranja - na época, disseram-lhe que o herbicida não representava risco à saúde - mas que os problemas do filho e do neto o atormentavam diariamente [fonte: Goldstein]. Os Zumwalts salientaram que o uso do agente laranja para acabar com a floresta densa ao longo do delta do Mekong ajudou na luta contra os atiradores e diminuiu consideravelmente o índice de baixa de soldados norte-americanos. Mais tarde, o almirante Zumwalt passou a defender a indenização às vítimas do agente laranja.
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