A solução mais simples é conectar algum tipo de gravador à linha telefônica. Funciona exatamente como sua secretária eletrônica: recebe o sinal elétrico da linha telefônica e o codifica como pulsos magnéticos em uma fita de áudio. O espião consegue fazer isso com muita simplicidade, usando um gravador comum e alguns fios. O único problema é que o gravador tem que ficar ligado o tempo todo para gravar as conversas. Uma vez que as fitas só têm de 30 a 45 minutos de cada lado, esse tipo de solução não ajuda muito.
Para dar certo, o espião precisa de um componente que liga o gravador somente quando a pessoa pega o telefone. Gravadores ativados por voz, indicados para uso em reuniões, salas de aula, etc., funcionam bem em escutas telefônicas. Assim que as pessoas começam a conversar, o gravador liga; e quando o telefone é colocado no gancho, ele desliga.
Mesmo com este sistema, a fita acaba rapidamente. Desta forma, o espião terá que voltar sempre ao local para trocá-la. Para manter segredo, os espiões precisam acessar a informação gravada em um local afastado.
A solução é instalar um aparelho secreto de escuta. É um dispositivo que recebe informações de áudio e as transmite pelo ar, normalmente através de ondas de rádio. Alguns destes aparelhos possuem microfones minúsculos que captam as ondas sonoras diretamente. Como em qualquer microfone, este som é representado por uma corrente elétrica. Em um aparelho secreto de escuta, a corrente corre em direção a um transmissor de rádio, que transmite um sinal que varia com a corrente. Próximo a ele, o espião instala um receptor de rádio que capta este sinal e o envia para um alto-falante ou o codifica em uma fita.
![]() Este receptor possui um microfone bem pequeno (o cilindro preto com um anel de metal na parte superior). Os fios vermelhos e pretos conectam a escuta ao circuito que passa pelo receptor. O transmissor de rádio leva o sinal elétrico presente neste circuito até o receptor mais próximo. |
O aparelho com um microfone consegue captar qualquer som dentro de uma sala, mesmo se a pessoa não estiver ao telefone. No entanto, o aparelho para o grampo telefônico não precisa ter seu próprio microfone, uma vez que o telefone já possui um. Caso seja conectado em qualquer ponto da linha, ele recebe a corrente elétrica diretamente. Normalmente, o espião o conecta aos fios que ficam dentro do telefone. É um esconderijo excelente, já que as pessoas raramente olham dentro do aparelho, mas se estiverem procurando por um grampo, o espião será descoberto rapidamente.
Este é o melhor tipo de grampo para a maioria dos espiões. Estes aparelhos são tão pequenos que dificilmente são descobertos e depois de instalados o espião não precisa voltar ao local do crime para mantê-los funcionando. Todos os equipamentos mais complexos de gravação podem ser mantidos longe das linhas, em um esconderijo. Mas o receptor de rádio tem que ficar ao alcance do transmissor, por isso o espião deve encontrar um local perto da escuta. Normalmente, este local é uma van que fica estacionada do lado de fora da residência.
É lógico que ficar em uma van ouvindo as conversas telefônicas dos outros é completamente ilegal para um cidadão comum. No entanto, para o governo, a história é outra.
Grampo telefônico antes e depois
Mesmo no início dos telefones e telégrafos, as pessoas já se preocupavam com o grampo telefônico. Em 1860, antes mesmo do telefone ter sido inventado, muitos tribunais estaduais de justiça nos Estados Unidos criaram leis proibindo qualquer pessoa de escutar comunicações por telégrafo. Em 1890, o telefone já estava sendo bastante usado, assim como o grampo telefônico. A partir daí, nos Estados Unidos, passou a ser ilegal escutar conversas telefônicas particulares de qualquer pessoa sem autorização. Na verdade, é ilegal gravar até mesmo sua própria conversa, caso a pessoa que estiver do outro lado da linha não esteja ciente.
De acordo com a história, a lei não tem sido tão rígida assim com o governo. Em 1928, o Supremo Tribunal Federal dos Estados Unidos aprovou o grampo telefônico pela polícia e outras autoridades do governo; no entanto, alguns Estados proibiram. Nos anos 60 e 70, de certa forma, este poder foi reduzido. Agora a lei exige uma ordem judicial para ouvir conversas telefônicas particulares e estas informações só podem ser usadas no tribunal sob certas circunstâncias.
Além disso, só é permitido às autoridades ouvir uma ligação por um determinado período de tempo. Mesmo com todo esse controle, a prática do grampo telefônico pelo governo é bastante contraditória. Advogados defensores dos direitos do cidadão dizem que ao grampear uma linha, não é apenas a privacidade das pessoas ao telefone que está sendo invadida, mas também a privacidade de quem está sendo referido na conversa.
O tipo mais comum de grampo telefônico profissional acontece em espionagem industrial. Muitas empresas espionam umas às outras da mesma forma que as nações quando estão em guerra. Os espiões tentam ouvir segredos industriais, planos de negócios e qualquer outra informação que possa lhes trazer alguma vantagem sobre a concorrente. No Brasil, segundo as Leis 9.034/1995 e 10.409/2002, o uso de grampos telefônicos - sob autorização da Justiça - só é previsto para apurar crimes envolvendo organizações criminosas ou tráfico de drogas |
Com a expansão da Internet, outras preocupações surgiram. Modems usam a linha telefônica da mesma forma que telefones tradicionais, mas em vez de transmitirem um modelo de eletricidade que representa sons, transmitem um modelo que representa bits e bytes que formam páginas da Internet e e-mail. O governo e outros podem visualizar estas informações usando "packet sniffers" (softwares que capturam tudo o que foi digitado no computador), como o Carnivore system do FBI (sistema utilizado pelo FBI para efetuar a vigilância de comunicações via Internet). Por não ser comunicação verbal, a comunicação pela Internet não é protegida pelas mesmas leis que protegem o uso dos telefones tradicionais. No entanto, em 1986, o governo americano promulgou o Electronic Communications Privacy Act (ECPA), lei que regulamenta transmissões de dados eletrônicos por computador, protegendo e-mails, pagers e conversas no telefone celular.
Muitas organizações, incluindo a American Civil Liberties Union (ACLU) - em inglês, uma organização americana de defesa dos direitos do indivíduo, acreditam que a ECPA não garante a privacidade do indivíduo como deveria. Eles declaram que a lei não é tão severa como eram as leis mais antigas. Seus principais argumentos são que as autoridades podem monitorar estas linhas de comunicação em diversas circunstâncias e que existem muitas autoridades que podem acabar aprovando o grampo telefônico. Além disso, apenas o conteúdo da comunicação pode ser protegido. O governo tem liberdade para monitorar quem está se comunicando com quem e com que freqüência.
Criptografia: as tecnologias estão ajudando a reduzir escutas telefônicas não autorizadas até certo ponto, mas à medida que a capacidade da criptografia vem se expandindo, o mesmo vem ocorrendo com as técnicas de escuta. No futuro, grampear um telefone não será mais tão fácil quanto conectar um aparelho a uma linha telefônica fora da casa de alguém, mas é quase certeza que, de um jeito ou de outro, grampos telefônicos ainda vão existir. Sempre que informações são transmitidas de um ponto a outro, existe a possibilidade de um espião interceptá-las no meio do caminho. Isto é quase inevitável em um sistema de comunicação global.
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