Por muitos séculos, o extremo sul do planeta foi visto como uma grande incógnita. Na tentativa de localizar a terra que os navegadores acreditavam existir ali, o explorador britânico James Cook se tornou o primeiro a atravessar o Círculo Antártico e a velejar em torno do continente (embora não o avistasse). A viagem de Cook nem confirmou nem negou a existência da Antártida, mas indicou que, se a terra existia, as dimensões calculadas para ela haviam sido superdimensionadas.
Em 1819/21, uma parecida viagem de circunavegação da Antártida foi realizada sob o comando do capitão naval russo Fabian von Bellingshausen. Ele descobriu e batizou as ilhas de Pedro 1° e Alexandre 1°, ao sul do Círculo Antártico.
Descoberta
Enquanto procurava locais de reprodução de focas, em 1820, Nathaniel Palmer, um navegador dos Estados Unidos, descobriu a península que mais tarde se tornaria conhecida como Península de Palmer (a partir de 1964, Península Antártica). Ele pode ter sido o primeiro a avistar o Continente Antártico, ainda que outros navegadores tenham contestado essa alegação. Em 1823, James Weddell, um caçador de focas britânico, encontrou o mar que mais tarde receberia seu nome. Charles Wilkes, comandando uma expedição da marinha norte-americana, descobriu a terra que leva seu nome, em 1840, e foi o primeiro a reconhecer a existência da Antártida como continente.
Até então, ninguém havia tentado um desembarque por conta da banquisa que cerca o continente. Em 1842, porém, James Ross, comandante dos navios britânicos Erebus e Terror, conseguiu navegar por entre as massas de gelo. Uma prateleira de gelo flutuante com mais de 30 metros de altura, que posteriormente ganharia o nome de Prateleira de Gelo de Ross, bloqueou um maior avanço em direção ao sul. Ele navegou rumo a leste, ao longo da costa antártica, observando e batizando o Cabo Adare, a Terra de Victoria, a Ilha Possession e o Monte Erebus.
Por volta da metade do século 19, a atenção da maioria dos exploradores estava voltada ao Ártico. O interesse pela Antártida não retornou até a década de 1880, ainda que baleeiros e caçadores de focas tenham continuado a percorrer suas águas em busca de presas.
As Primeiras Viagens de Exploração
Um dos primeiros desembarques importantes na Antártida foi feito por Leonard Kristensen, um baleeiro norueguês, em 1895. Uma expedição científica belga comandada por Adrian de Gerlache, foi a primeira a passar o inverno ao sul do Círculo Polar Antártico, em 1898/9, quando seu navio ficou preso no gelo. Um ano mais tarde, um grupo britânico liderado pelo explorador norueguês C. E. Borchgrevink passou o inverno no continente.
Os primeiros exploradores trabalhavam apenas em pequenas áreas costeiras. A exploração do interior do continente não começou até depois de 1900. No período 1901/4, a expedição de Robert Scott descobriu a Terra de Eduardo 8° e fez diversas viagens de trenó, uma delas atingindo um ponto a cerca de 800 quilômetro do Pólo Sul. Em 1909, Ernest Shackleton conduziu uma equipe britânica a um ponto localizado a apenas 156 quilômetros do pólo.
O Pólo Sul foi atingido em 14 de dezembro de 1911 pelo norueguês Roald Amundsen e quatro companheiros, que fizeram a viagem da Baía das Baleias ao pólo em 57 dias, com a ajuda de trenós puxados por cachorros. Cerca de um mês mais tarde, uma expedição britânica liderada por Scott atingiu o pólo por uma rota diferente. O grupo de cinco escoceses pereceu na viagem de volta. Leia aqui a carta que Scott escreveu para a esposa ao perceber que não voltaria mais.
Exploração Posterior
Depois do final da Primeira Guerra Mundial, as expedições se tornaram mais numerosas e o equipamento utilizado também progrediu. A coleta de dados científicos passou a receber mais ênfase. O avião foi utilizado pela primeira vez na exploração antártica por Hubert Willins, um australiano que percorreu em vôo a maior parte da Península de Palmer, em 1928.
Também em 1928, Richard Byrd, dos Estados Unidos, começou a construção da base polar Little America, na Baía das Baleias. Ele fez o primeiro vôo por sobre o pólo, em 29 de novembro de 1929, em um avião pilotado por Bernt Balchen. A jornada demorou 19 horas e cobriu uma distância de 2.575 quilômetros. Byrd liderou diversas expedições para a Marinha dos Estados Unidos, estabeleceu algumas bases e coletou importantes informações meteorológicas e geográficas.
Em 1929/30, Douglas Mawson, da Austrália, descobriu a Costa de Mawson e a Costa da Terra de MacRobertson. Nos anos 30, Lincoln Ellsworth liderou duas expedições norte-americanas e comandou a primeira viagem de travessia aérea da Antártida.
Na metade dos anos 40, o interesse científico na Antártida e na região adjacente começou a crescer fortemente. Diversos países adotaram planos para o estabelecimento de estações de pesquisa na área. No período 1946/7, os Estados Unidos conduziram a imensa Operação Highjump, com quatro mil homens e mais de 30 aviões e navios. O contra-almirante George Dufek, da marinha dos Estados Unidos, fez o primeiro pouso de avião perto do pólo, em 1956. Pouco depois, a Estação Amundsen-Scott, dos Estados Unidos, foi estabelecida no local. A primeira travessia terrestre do continente foi concluída por uma equipe britânica liderada por Vivian Fuchs, em 1957/8, com ajuda de um grupo neozelandês comandado por Edmund Hillary. Em 1966, uma expedição norte-americana foi a primeira a escalar o Maciço de Vinton, o mais alto pico da Antártida.