Anatomia de uma geleira

As geleiras têm duas seções principais: a área de acumulação e a área de ablação. A área de acumulação é aquela em que as temperaturas são frias e a neve se acumula, acrescentando massa à geleira. A área de ablação é aquela na qual as temperaturas são mais elevadas, de modo que parte da geleira se derrete.

A área de ablação também pode ser o ponto em que uma geleira se encontra com o oceano. Quando a geleira se estende pela água, o gelo flutua, criando uma prateleira de gelo. A força das marés flexiona a prateleira para cima e para baixo até que esta por fim cede. Quando uma grande porção de gelo cai no mar pela ação das ondas, o processo é conhecido como calving. Os pedaços de gelo flutuantes que resultam dele são conhecidos como icebergs.

Mountain climbers on Ruth Glacier at Denali Park, Alaska
Alexander Stewart/The Image Bank/Getty Images
Alpinistas na geleira de Ruth, no Parque Nacional Denali, Alasca

A fronteira entre as áreas de ablação e de acumulação se altera sazonalmente. Na primavera e no verão, há mais derretimento (ablação) em curso, de modo que a área de ablação é mais ampla. No inverno, a área de acumulação aumenta.

O equilíbrio médio entre as áreas determina a estabilidade de uma geleira. Uma geleira com área média de acumulação muito maior está crescendo, enquanto uma geleira com grande área de ablação está encolhendo e deve desaparecer um dia. Quando as duas áreas são quase iguais, a geleira é considerada estável. As alterações climáticas podem afetar a estabilidade de uma geleira, a longo prazo. Tendências recentes sugerem que muitas das geleiras mundiais estão recuando em ritmo alarmante [fonte: University of Zurich (em inglês)].

A porção frontal de uma geleira é conhecida como terminação. Caso a geleira seja estável, a terminação estará sempre no mesmo lugar. A geleira ainda está se movendo, mas a quantidade de gelo acrescido e derretido a cada ano é mais ou menos a mesma.

Além das fendas, as forças térmicas e dinâmicas em ação em uma geleira criam diversas outras características interessantes.

  • Moulins - são tubos verticais que transportam a água do derretimento pela geleira.
  • Seracs - são colunas entrecortadas ou blocos de gelo que se formam sempre que gelo mais macio cai de blocos de gelo mais denso, ou quando múltiplas fendas se encontram. São formações perigosamente propensas ao colapso.

  • Ogivas - são estruturas em forma de onda que se formam na base de uma queda de gelo (o ponto em que uma geleira se projeta de um penhasco).

Existem dois tipos principais de geleiras: geleiras alpinas e lençóis de gelo. O número de lençóis de gelo é relativamente pequeno, mas eles são incrivelmente imensos. Um deles recobre toda a Antártida, outro cobre a Groenlândia e uma imensa área do Oceano Ártico [fonte: Gallant]. Os lençóis de gelo se movem primordialmente por expansão e podem ser feitos de diversas pequenas geleiras que formam um conglomerado.

As geleiras alpinas se formam em altitudes elevadas (não apenas nos Alpes) e "fluem" montanha abaixo, geralmente por um vale glacial. Seu movimento é gerado por deslizamento basal.

Na próxima seção, veremos como as geleiras mudaram a forma do planeta.

Estatísticas
  • Geleiras alpinas podem ter de 10 a centenas de metros de espessura. Em alguns lugares, a camada de gelo da Antártida tem mais de três quilômetros de espessura [fonte: Gallant].
  • Cerca de 10% da massa terrestre do planeta está recoberta por geleiras [fonte: USGS (em inglês)].
  • Durante a mais recente era glacial, as geleiras recobriam cerca de 1/3 do planeta.
  • Cerca de 75% da água fresca do mundo está congelada em geleiras [fonte: USGS (em inglês)].
  • A Antártida está coberta por quase 25 milhões de km3 de gelo [fonte: Chorlton].
  • Manter toda essa água congelada tem imenso efeito sobre o nível do mar. No fim da última era do gelo, o nível do mar era 120 metros mais baixo [fonte: University of Montana]. Se todas as atuais geleiras derretessem, o nível do mar subiria cerca de 200 metros [fonte: Chorlton].