Formação de geleiras

Existem dois tipos de lugares diferentes na Terra onde se formam geleiras: no Pólo Norte e no Pólo Sul, onde sempre faz frio intenso; e em altitudes elevadas, como nas grandes cadeias de montanhas.

Uma geleira é basicamente um grande acúmulo de gelo que dure mais de um ano. No primeiro ano, a pilha de neve é conhecida como nevé. Se a neve permanece por mais de um inverno, a formação passa a ser conhecida como firn.

À medida que mais e mais neve se acumula ao longo dos anos, o peso da neve no topo começa a comprimir a neve que existe no fundo da pilha. A compressão faz com que a neve se torne gelo. É como tomar na mão um punhado de neve e comprimi-la para formar uma bola de neve mais dura, mas em uma escala bem maior. A compressão da geleira continua por dezenas, centenas ou até milhares de anos, o que acrescenta mais e mais camadas no topo e eleva ainda mais o peso. O gelo termina comprimido a tal ponto que boa parte do ar que ele abriga é expulsa. É por isso que o gelo glacial parece azul.

glacier in Greenland
Steve Allen/The Image Bank/Getty Images
Geleira perto de Myggebuten, Groenlândia

Por fim, a geleira ganha tamanho peso que começa a se mover. Existem duas formas de movimento glacial e a maior parte do movimento glacial envolve uma mistura de ambas.

  • Expansão - ocorre quando o peso da geleira se torna grande demais para que ela sustente sua forma. A geleira se expande e se espalha como uma massa de biscoito sendo assada no forno.

  • Deslizamento basal - ocorre quando a geleira se localiza em uma encosta. A pressão faz com que uma pequena quantidade de gelo no fundo da geleira derreta, criando uma camada fina de água. Isso reduz a fricção o bastante para que a geleira possa deslizar encosta abaixo. A presença de terra solta sob uma geleira também é capaz de causar deslizamento basal.

Quando uma geleira se move, não é como um bloco sólido de gelo descendo uma encosta. Uma geleira é um rio de gelo. Isso acontece porque as camadas altamente comprimidas de gelo são muito flexíveis (os cientistas usam a expressão alta plasticidade) se forem submetidas a forte pressão. As camadas superiores, que não sofrem tanta pressão, são mais frágeis. É por isso que caminhar em uma geleira é tão perigoso - as camadas superiores se fraturam e formam imensas fendas no gelo (ou crevasses), que ocasionalmente são recobertas por neve fresca.

Os cientistas medem o movimento das diferentes partes de uma geleira em relação umas às outras fincando estacas no gelo. No curso de um ano, a posição relativa das estacas muda, ocasionalmente por centenas de metros. O mesmo efeito acontece no plano vertical porque diferentes camadas de gelo se movimentam em velocidades diferentes. As bordas de uma geleira tendem a se mover mais rápido.

Na próxima página, descobriremos algumas curiosidades interessantes sobre as geleiras.

A geleira mais veloz do mundo

A maioria das geleiras se movimenta apenas alguns milímetros por ano. A geleira mais rápida do mundo não requer cronômetro, mas sim um calendário, para acompanhar seu avanço. Trata-se da Geleira de Jakobshavn, na Groenlândia, que durante muitos anos se movimentou entre 5,7 mil e 6,7 mil metros anuais. Nos últimos 10 anos, a velocidade passou para 12,6 mil metros ao ano [fonte: NASA].

Ocasionalmente geleiras transbordam - movem-se em velocidade até 10 vezes superior à comum. Isso acontece mais comumente na primavera, quando o derretimento faz com que enorme volume de água flua pela geleira.

Mas por que a Geleira de Jakobshavn se acelerou? Os cientistas acreditam que isso tenha acontecido porque o gelo ficou mais fino. Assim que uma geleira começa a passar por deslizamento basal, quando mais leve se torna, mais rápido seu movimento, pois menos peso implica menos fricção.