Galileu: o sistema solar e a Igreja

Em 1969, quando estava na superfície lunar, o astronauta Neil Armstrong deixou cair da mesma altura um martelo e uma pena. Quando ambos tocaram no chão ao mesmo tempo, ele afirmou: “Viram? Galileu estava certo”.

“Sobre o movimento” foi uma das primeiras obras de Galileu, mas, apesar de ser um dos mais originais pensamentos sobre o movimento em sua época, ele nunca a publicou. Nela, ele estabeleceu três leis do movimento: (1) todos os corpos caem da mesma altura em tempos iguais; (2) na queda, as velocidades finais são proporcionais aos tempos; (3) os espaços percorridos são proporcionais aos quadrados dos tempos. Galileu estava ciente de que a resistência do ar era uma interferência nessa queda, por isso sugeriu que a equivalência direta só ocorreria no vácuo.

Com essa e outras ideias polêmicas que contradiziam o pensamento aristotélico em vigor, ele acabou não tendo seu contrato renovado com a Universidade de Pisa. Galileu foi então lecionar na Universidade de Pádua, que era uma das melhores da Europa naqueles tempos. Foi lá que ele desenvolveu seu Compasso Geométrico e Militar, uma das investidas dele pelo mundo comercial, mas a única em que foi bem-sucedido.

Em 1599, Galileu conheceu Marina Gambá, uma beldade que se despia com facilidade. Como não ficava bem um professor universitário casar-se com uma prostituta, eles se tornaram amantes. Com ela, Galileu teve três filhos. Ele amou e cuidou muito bem de todos, sendo um excelente pai.

Na época do início de seu relacionamento com Marina, Galileu começou a se corresponder com Johannes Kepler, que havia sido assistente do astrônomo dinamarquês Tycho Brahe. Com a morte do astrônomo, Kepler seguiu e aprimorou as descobertas do mestre, que caminhavam na linha dos pensamentos de Copérnico. Pensamento que colocava o Sol no centro e os planetas girando em torno dele, num cenário em que a ideia aristotélica da Terra como o centro do universo e de um céu fixo e permanente era a oficial e dominante.

Nos anos seguintes, a invenção do telescópio daria a Galileu o instrumento necessário para definitivamente mudar a compreensão do sistema solar. Ele se empenhou em aperfeiçoar o instrumento e começou a explorar o céu de forma sistemática. Entre suas descobertas, estão os satélites de Júpiter, as manchas solares, as imperfeições da Lua. Suas observações do espaço provavam as teorias de Copérnico de que o Sol estava no centro de nosso sistema e que os planetas descreviam órbitas em torno dele. Mas não aceitou as evidências de Kepler de que essas órbitas eram elípticas. Continuou a achar que elas eram circulares.

Ao tornar público seu pensamento arranjou um enorme conflito com a Igreja e com os acadêmicos aristotélicos. Já com a fama de um dos maiores cientistas de sua Era, tentou defender sua causa diretamente no Vaticano, junto às autoridades eclesiais. Com a reação negativa da Igreja achou melhor se recolher, apesar de acreditar que a “Bíblia mostra o caminho do céu, mas não como o céu caminha”. Tentou seguir em seus estudos e investigações científicas sem criar controvérsias. No entanto, seu temperamento não era adequado a esse estilo de vida.

Em 1632, publica o “Diálogo sobre os dois principais sistemas de mundo, o ptolomaico e o copernicano”, obra em que quebrava o compromisso assumido anteriormente com a Igreja de não ensinar ou discutir o sistema copernicano, sob qualquer forma ou feição. O papa Urbano 8.° pediu a instalação de um processo da Inquisição contra o cientista. Sob interrogatório e com a condenação certa, ele arrefeceu, negando sua “ciência herética” o que levou a revogação de sua prisão. Em sua última década de vida, morando nos arredores de Florença produziu ainda a obra “Discurso sobre duas novas ciências”, em que sintetizou vários de seus pensamentos sobre mecânica e registrou as conclusões dos experimentos que fez durante sua vida. A obra contrabandeada para Paris chegou aos seus ex-alunos que naquele momento eram professores universitários espalhados pela Europa.