História das galáxias

Observemos a história das galáxias na astronomia.

  1. Os gregos cunharam o termo "galaxies kuklos", ou "círculo leitoso", como forma de descrever a Via Láctea. Ela era uma tênue faixa de luz, mas não se fazia idéia do que ela era composta.

  1. Quando Galileu estudou a Via Láctea com o primeiro telescópio, determinou que ela era composta de numerosas estrelas.

  1. Há séculos sabemos que o nosso sistema solar se localiza dentro da Via Láctea, pois ela nos cerca. Podemos vê-la ao longo do ano em todos os quadrantes do céu, mas, no inverno do hemisfério sul e no verão do hemisfério norte, ela brilha mais, porque é nesse momento que se pode contemplar a porção central da galáxia. No entanto, para astrônomos do século 18 e períodos anteriores, não estava claro que a Via Láctea fosse uma galáxia, e não apenas uma distribuição de estrelas.

Andromeda galaxy
Jack Zehrt/Taxi/Getty Images
A anos-luz de distância

As galáxias ficam muito distantes umas das outras. A galáxia de Andrômeda, também conhecida como M31 (objeto Messier n° 31), é a mais próxima de nós e se localiza a 2,2 milhões de anos-luz de distância. Os astrônomos geralmente medem distâncias intergalácticas em termos de megaparsecs:

um parsec = 3,26 anos-luz
um milhão de parsecs = um megaparsec
um megaparsec (Mpc) = 3,26 milhões de anos-luz

As galáxias visíveis mais distantes ficam a aproximadamente três mil megaparsecs ou cerca de 10 bilhões de anos-luz.



  1. No fim do século 18, os astrônomos William e Caroline Herschel mapearam as distâncias para estrelas em muitas direções. Eles determinaram que a Via Láctea era uma nuvem de estrelas em formato de disco e que o Sol ficava perto de seu centro.

  1. Em 1781, Charles Messier catalogou diversas nebulosas (manchas de luz esmaecida) em todo o firmamento e classificou diversas delas como nebulosas espirais.

  1. No começo do século 20, o astrônomo Harlow Shapley mediu as distribuições e as posições dos aglomerados estelares globulares. Ele determinou que o centro da Via Láctea ficava a cerca de 28 mil anos-luz da Terra, perto das constelações de Sagitário e Escorpião, e que tinha a forma de um bojo e não de uma superfície plana.

  1. Mais tarde, Shapley argumentou que as nebulosas espirais descobertas por Messier eram "universos-ilha", ou galáxias (retendo a terminologia grega). Mas outro astrônomo, chamado Heber Curtis, argumentava que as nebulosas espirais eram simplesmente parte da Via Láctea. O debate continuou por anos, porque os astrônomos precisavam de telescópios maiores e mais poderosos para resolver os detalhes.

  1. Em 1924, Edwin Hubble resolveu a questão. Usou um grande telescópio (com diâmetro de 100 polegadas, maior do que os disponíveis para Shapely e Curtis) instalado em Mount Wilson, na Califórnia, e descobriu que as nebulosas em espiral tinham estruturas e estrelas, conhecidas como variáveis Cefeidas, semelhantes às da Via Láctea (essas estrelas mudam de brilho regularmente e a luminosidade que exibem está diretamente relacionada ao período em que estiverem em seu ciclo de brilho). Hubble usou as curvas de luz das variáveis Cefeidas para medir a distância entre elas e a Terra, e constatou que estavam muito mais longe que os limites conhecidos da Via Láctea. Portanto, essas nebulosas espirais eram de fato outras galáxias localizadas fora da nossa.

Relação entre luminosidade e distância

Astrônomos (profissionais e amadores) podem medir o brilho de uma estrela (a quantidade de luz que ela emite) usando um fotômetro, ou um dispositivo de carga acoplada, instalado em um telescópio. Se eles conhecem o brilho da estrela e a distância que os separa dela, podem calcular sua luminosidade - a quantidade de energia que ela emite (luminosidade = brilho x 12,57 x (distância)2). Invertendo a fórmula, se a luminosidade de uma estrela é conhecida, torna-se possível calcular sua distância.


Restam ainda muitos mistérios sobre a formação de galáxias, mas na próxima página explicaremos algumas das melhores teorias a respeito.