A maioria dos esqueletos de dinossauro que você vê em museus existe devido às rochas sedimentares. Esses fósseis começaram a surgir quando um dinossauro morreu em um ambiente que tinha muito sedimento móvel, como um oceano, leito de rio ou lago. Um local assim é uma zona bêntica: a parte mais profunda de um corpo d´água. Esse sedimento rapidamente enterrou o dinossauro, oferecendo ao seu corpo proteção contra a decomposição. Enquanto as partes macias do dinossauro eventualmente se decompuseram, suas partes duras (ossos, dentes e garras) permaneceram.
AFP/Getty Images Ovos fossilizados em exibição no Museu da Mongólia, na capital regional de Hohhot |
Mas um osso enterrado não é a mesma coisa que um fóssil. Para se tornar um fóssil o osso precisa se tornar rocha. As partes orgânicas do osso, como as células sangüíneas, colágeno (uma proteína) e gordura, eventualmente, se decompõem. Mas as partes inorgânicas do osso, ou as partes compostas de minerais como o cálcio, têm mais poder de permanência. Elas permanecem após o desaparecimento dos materiais orgânicos, criando um mineral frágil e poroso no formato do osso original.
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Um
cipreste-dos-pântanos fossilizado de 8 milhões de anos, que foi preservado em uma mina de
carvão fóssil a céu aberto,
no noroeste da Hungria.
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Outros minerais reforçam esse osso, fundindo-o em um fóssil. A água gradualmente percorre o interior do osso, transportando minerais como ferro e carbonato de cálcio extraídos do sedimento circundante. Quando a água penetra os ossos do dinossauro, alguns desses materiais se precipitam dentro de seus poros microscópicos. À medida que esse processo continua, o osso se torna mais e mais parecido com rocha. Isso é como encher uma esponja com cola (em inglês): a estrutura física da esponja permanece a mesma, e os poros e buracos dentro dela são preenchidos. A cola torna a esponja mais robusta e mais resistente a danos. Ossos grandes e espessos, que têm mais espaço para a cola mineral, formam fósseis melhores do que ossos pequenos e finos.
Com o passar de milhões de anos, o sedimento ao redor desses ossos reforçados se torna rocha sedimentar. A erosão, as marés e outros processos naturais continuam a depositar mais sedimento, e esse sedimento também se torna rocha. Enquanto eles podem reter a pressão da rocha circundante, os ossos permanecem ocultos e preservados de forma segura. Após milhões de anos, algum processo natural, como a mudança gradual da superfície do planeta, pode revelar essas camadas e os fósseis que elas contêm.
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Uma trilha fóssil no declive de uma colina no condado de Yongjing, no noroeste da província de Gansu, na China |
A rocha sedimentar também pode conter traços fósseis, que registram o comportamento de um organismo. Alguns dos traços fósseis mais conhecidos são as trilhas fósseis, ou percursos de animais extintos. Eles se formam quando um animal deixa suas impressões em solo macio, mas firme, que cria um molde. Esse molde é enchido com sedimento, e ambos, o molde e seu preenchimento, endurecem durante milhões de anos. Forças naturais como a erosão removem as camadas superiores da rocha, revelando as pegadas preservadas sob elas.
O sedimento também pode encher o molde e endurecê-lo em uma fôrma, ou uma reprodução da pata que criou a pegada. Isso também pode acontecer com outros traços como tocas e túneis. Alguns outros traços fósseis incluem coprólitos (esterco fossilizado), marcas de dentes em ossos ou madeira, e ninhos. O sedimento pode até preservar a vida da planta. As plantas podem deixar impressões no sedimento endurecido ou se tornar madeira petrificada após passar por grande parte do mesmo processo dos ossos de dinossauro fossilizados.
Esse tipo de fossilização cria fósseis mais resistentes, mas ele somente pode ocorrer sob condições específicas. A seguir, veremos outras maneiras pelas quais formas de vida podem ser enterradas, encobertas ou de alguma maneira protegidas para que seus restos permaneçam por milhões de anos.