Formando e destruindo: geologia e decomposição

Se você leu Como funciona a Terra, sabe que a estrutura física da Terra tem várias camadas distintas. Existe um núcleo interno sólido, um núcleo externo derretido, uma manta maleável e uma crosta sólida. A crosta, a camada mais fina, forma a superfície da Terra e é onde os fósseis são formados e descobertos.

exposed rock strata
Foto cedida U.S. Geological Survey
Na área de Recreação Nacional do Lago Mead você pode ver camadas expostas de rocha sedimentares de vários períodos da era Paleozóica

A maioria das rochas encontradas dentro e sobre a crosta da Terra são rochas sedimentares. Elas se formam quando sedimentos, como barro e areia, se juntam e endurecem. Com o passar de milhões de anos, esse processo resulta em espessas camadas de rocha sedimentar. Em algumas partes do mundo, como o Grand Canyon, você pode ver essas camadas. Cada camada é mais jovem que a camada abaixo dela e mais antiga que a camada acima dela, um conceito descrito primeiramente pelo geólogo Nicholas Steno no século XVII [fonte: Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia.]

Isso pode parecer um processo organizado e ordenado, mas a Terra é dinâmica. Seus continentes repousam sobre placas que se movem muito lentamente em relação umas às outras. As placas podem colidir umas com a outras ou se afastar, ou a borda de uma placa pode deslizar sob a borda da outra. Toda essa atividade pode empurrar camadas mais antigas de rocha para a superfície e enterrar outras. É por isso que algumas formações rochosas têm camadas, ou estratos, que aparecem como faixas ou redemoinhos verticais em vez de camadas horizontais. Também é por isso que rochas da mesma idade podem ser encontradas em partes muito diferentes do mundo: o movimento da superfície do planeta transportou essas formações geológicas de um lugar para outro. Você pode aprender mais sobre o processo em Como funcionam os terremotos. Os efeitos ambientais, como o clima e a erosão, também podem revelar camadas mais antigas de rocha sedimentar.

Essa é uma visão muito simplificada do processo, mas ela demonstra dois pontos-chave que são necessários à compreensão dos fósseis. Um é que a rocha sedimentar forma a superfície da Terra. O outro é que o movimento da Terra tem um grande impacto sobre como e onde essas rochas aparecem.

A outra coisa que você precisa saber é que a Terra é muito eficiente para se livrar de seus resíduos. Organismos vivos se decompõem após morrerem. Apesar de algumas pessoas imaginarem a decomposição como um processo natural que ocorre sem influências externas, existem muitos fatores agindo para evitar que o planeta seja enterrado em resíduos. Aqui estão alguns dos componentes da equipe de limpeza da Terra:

  • bactérias aeróbicas, ou bactérias que crescem na presença de oxigênio, consomem e decompõem os finos tecidos dos organismos;
  • carniceiros, como os urubus, consomem os corpos de animais mortos;
  • insetos, como baratas e formigas, comem e digerem resíduos de plantas e animais, retornando-os ao solo como um tipo de fertilizante;
  • clima e erosão decompõem os resíduos fisicamente, mas bactérias e outras formas de vida têm um papel muito maior na decomposição.

Mas como tudo isso se aplica aos fósseis? Primeiro, apesar das exceções, a maioria dos tipos de fósseis se forma em rocha sedimentar. Segundo, todos os tipos de fossilização envolvem proteger um organismo vivo de agentes de decomposição. A seguir, veremos mais detalhadamente como esses dois fatores trabalham juntos e por que a fossilização tem mais probabilidade de ocorrer na água do que sobre a terra.

Fósseis vivos
Quando uma planta ou animal se parece muito com seus ancestrais no registro fóssil, o que significa que mudou muito pouco durante milhões de anos, ele passa a ser chamado de fóssil vivo. Exemplos de fósseis vivos são os caranguejos-ferradura, a planta ginko biloba e o peixe celecanto.