![]() Imagem cedida por Lucasfilm Ltd. e TM. Todos os direitos reservados. O ataque de Luke Skywalker e os rebeldes à Death Star. |
Responderemos primeiro a última pergunta: "É claro que sim!" A ciência é essencial para qualquer trabalho de ficção científica; a ciência a separa da fantasia e de outros tipos de ficção. Além do mais, os fãs de ficção científica são bastante exigentes. Às vezes, pequenos erros científicos não desmerecem a história e podem passar despercebidos, exceto pelo observador perspicaz. Em outros casos, os erros científicos são tão absurdos que a história se torna totalmente inverossímil - e o filme vai por água abaixo.
Neste artigo, vamos explorar alguns grandes erros e concepções erradas dos filmes e seriados de TV. Algumas observações antes de começarmos:
Tendo isso em mente, vamos examinar como a ficção científica não funciona.
A primeira lei separa a ficção científica da fantasia, space opera, ou apenas ficção pura. Por exemplo, em "Contato", um rádio astrônomo recebe uma mensagem de outra civilização na galáxia. A ciência de rádio astronomia e as viagens interestelares são cruciais para a história, e o falecido autor/astrônomo Carl Sagan fez um grande esforço para torná-la correta em relação à ciência. A segunda lei de Bova e Lewis dá aos escritores bastante liberdade. Vamos examinar como esta lei funciona com um problema comum em filmes de ficção científica. As distâncias entre estrelas na galáxia são vastas (anos-luz e parsecs). Então, para viajar pelas estrelas em tempo razoável os personagens devem se mover mais rápido que a luz. Mas a teoria de relatividade especial coloca a velocidade da luz (300 mil km/s) como o limite da velocidade cósmica. Nada que tenha massa pode viajar tão rápido como a luz porque seria necessário uma infinita quantidade de energia para acelerar até a velocidade da luz, e a massa iria aumentar infinitamente. Autores de ficção científica inventaram maneiras de contornar este problema, como a "dobra espacial", que distorce o espaço em "Star Trek". Estes métodos permitem aos personagens atravessar grandes distâncias sem sofrer as penalidades da relatividade (aumento da massa, distâncias reduzidas, dilatação do tempo). Na verdade, essas invenções estimularam físicos teóricos a explorá-las. Até agora, nenhuma dessas idéias pôde ser refutadas, e elas se tornaram elementos importantes da ficção científica. |
Suspensão voluntária da descrença
![]() Imagem cedida pela Amazon O filme "O Núcleo - Missão ao Centro da Terra" fracassou nos cinemas, em parte porque quebrou as lei da ficção científica |
Desta forma, a ciência é importante para fazer a ficção científica funcionar. Os autores e cineastas deveriam lutar para tornar a ciência nas suas obras a mais verdadeira possível. Se a ciência não é real, as reações podem variar. Alguns espectadores podem estar dispostos a suspender sua descrença. Os fãs de "Star Wars" certamente estão. Entretanto, se a ciência estiver muito confusa, os espectadores podem ficar desapontados. O filme "O Núcleo - Missão ao Centro da Terra" era tão inverossímil que fracassou nas bilheterias. A maneira como os produtores escolhem lidar com o fator plausibilidade em seus filmes pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.
Como as espaçonaves se movem
Nós abrimos este artigo com a descrição das manobras dos caças X-wing e de uma outra espaçonave no filme "Star Wars". Você pode ver movimentos parecidos nos caças Viper da versão original da série de TV "Battlestar Galactica". Os projetistas desenharam estas espaçonaves baseados em caças modernos (como os F-14 e os MiG) que se envolvem em batalhas aéreas como aquelas do filme "Top Gun". A inclinação de uma aeronave é conseqüência do movimento do ar sobre as superfícies da asa, leme e estabilizadores. Quando um avião vira, os estabilizadores movem-se para cima de um lado e para baixo do outro lado, fazendo o avião rolar na direção do giro. Ao mesmo tempo, o leme da cauda se move na direção oposta ao giro e rebate o ar para fazer o giro. Estes movimentos combinados do ar fazem com que o avião se incline na direção do giro enquanto avança. Eles não poderiam acontecer sem o ar.
Enquanto um avião se move pelo ar, a espaçonave trafega no vácuo. A terceira lei do movimento de Newton ("para cada ação, existe uma reação, igual e oposta") governa os movimentos da espaçonave. Para girar, ela deve disparar um propulsor (ejetando massa, na forma de gases quentes) na direção oposta àquela para a qual precisa ir. Existem três eixos de rotação: cabragem, rolagem e guinada. Se o piloto quiser virar para a direita, ele aciona os propulsores para a esquerda, e geralmente os propulsores de guinada e rolagem são acionados juntos. Esses propulsores de manobra estão localizados ao longo do casco da espaçonave e permitem movê-la nos três eixos de rotação. Dessa forma, o giro de uma espaçonave parece mais uma sacudidela brusca em uma ou mais direções simultaneamente, em vez de uma inclinação suave. Você pode ver os movimentos da espaçonave Apolo na minissérie da HBO "Da Terra à Lua", e os dos caças Viper da nova série "Battlestar Galactica" no Canal SciFi.
A seguir, aprenderemos sobre os erros da ficção científica com planetas e asteróides.