Corte final

Agora que a lâmina foi recozida, o cuteleiro pode gravar quaisquer desenhos e formar o fio e a ponta da lâmina. Utilizar um esmeril de correia é a maneira mais comum de afiar a espada, mas alguns cuteleiros preferem trabalhar com limas.

Como o aço é mole, ele não manterá o fio se você tentar cortar qualquer coisa neste momento. O aço precisa de um tratamento térmico para endurecê-lo. O cuteleiro aquece novamente a lâmina até o ponto de austenitização. A lâmina precisa ser aquecida por igual durante este processo. Apesar de muitos cuteleiros utilizarem a sua forja para este processo, alguns utilizam um banho de sal.

Os sais são aquecidos a uma temperatura adequada e a espada é suspensa no banho de sal por um determinado tempo. Os sais utilizados no banho de sal se liquefazem a uma temperatura mais baixa do que é necessário para o aço, mas além dessa temperatura permanecem líquidos, criando um perfeito "banho quente" para a lâmina. De modo parecido com um banho-maria, os sais aquecem por igual todo o aço.


Foto cedida por Facas Don Fogg
Um banho de sal utilizado por Don Fogg

Quando a lâmina é removida da forja ou banho de sal, ela deve ser colocada imediatamente no tanque de resfriamento. O óleo no tanque de resfriamento faz o aço resfriar rapidamente e por igual. Se o aço não se resfriar por igual por algum motivo, a lâmina pode entortar ou sofrer pequenas rachaduras. Além disso, a lâmina não pode ser deixada no óleo tempo demais ou removida precocemente. Qualquer erro pode arruinar a lâmina. Existem orientações gerais sobre quanto tempo temperar a lâmina com base no tipo de aço, óleo ou outro meio de endurecimento no tanque de resfriamento, além da espessura da lâmina. A maioria dos cuteleiros lhe dirá que é principalmente uma combinação de experiência e instinto que os ajuda a saber quanto tempo é o suficiente. A têmpera fixa a cementinta dentro da ferrita e cria um aço muito duro chamado martensita.

Agora que o aço está endurecido, ele pode ser revenido. O revenimento, ou tratamento térmico, é feito aquecendo-se a lâmina novamente. A diferença é que ela não é aquecida até o ponto em que a austenitização ocorre. O revenimento utiliza uma temperatura muito mais baixa, novamente com base no aço utilizado. A lâmina é mantida nessa temperatura por um tempo, depois é resfriada novamente. A maioria dos cuteleiros faz vários revenimentos para obter o nível exato de dureza. A idéia é que o metal seja duro o suficiente para manter o fio mas não tão duro que seja quebradiço, o que pode fazer com que ele rache ou despedace.


Foto cedida por Facas Don Fogg
Uma espada sendo coberta com gesso
Um método comum de tratamento térmico, especialmente preferido por fabricantes de espadas japoneses, é recobrir a lâmina, exceto pelo gume com uma mistura úmida de gesso que seca e endurece à medida que a lâmina é aquecida. O gesso retêm o calor e retarda o processo de resfriamento. Alguns cuteleiros criam camadas mais grossas de gesso cruzando a lâmina para retardar ainda mais o resfriamento nessas seções específicas. A idéia aqui é que tais seções sejam ligeiramente mais moles que o resto da espada para aumentarem a flexibilidade enquanto o gume se mantém duro.